Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

A ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza passou por avaliação psicológica e psiquiátrica a pedido de sua defesa. No exame, que ocorreu no dia 27 de abril no Hospital Penal Psiquiátrico Roberto Medeiros, localizado no Complexo de Gericinó (RJ), ela alegou que sofre com alucinações e pesadelos desde que foi presa em 13 de agosto de 2021 acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. As informações são do jornal Extra.

Os responsáveis pela avaliação de Flordelis foram o psicólogo Marcos José de Souza Martins e o psiquiatra Mauro Acselrad. Ambos os profissionais concluíram que não há necessidade de a ex-parlamentar ficar internada na unidade psiquiátrica.

O Extra teve acesso aos lados de Flordelis nos quais ela alegou que escuta gritos e a própria voz. Ela também se queixou de perda de apetite e sono perturbado por recorrentes pesadelos. Contudo, os dois profissionais ressaltaram não ser certo “tratar-se de alucinações genuínas”. O psicólogo frisou que a ex-parlamentar negou “uso de álcool ou outras drogas”.

Aos profissionais, Flordelis afirmou que também teve perda de memória e apenas se lembra de eventos ocorridos há 29 anos, período em que começou a acolher crianças e adolescentes em sua casa na favela do Jacarezinho.

A ex-parlamentar frisou que fez acompanhamento psiquiátrico na infância depois da morte do pai. Ainda segundo ela, os atendimentos contavam com “surtos e desmaios”, fatos que ela teve conhecimento por meio da mãe e da irmã.

Ela também relatou que há alguns anos sofreu um episódio de isquemia cerebral (acidente vascular cerebral) e passou a ter convulsões desde então.

“O quadro atual, no que cabe informar a partir deste exame, é de estabilidade emocional. As referências a crises convulsivas carecem de avaliação neurológica, podendo corresponder a episódios dissociativos. Os fenômenos alucinatórios descritos, no meu entender não requerem no momento abordagem medicamentosa diversa da que já faz uso. Entretanto, cabe que seja reavaliada ambulatorialmente, conquanto não haja indicação para que permaneça em regime de internação psiquiátrica, de modo que retornará a sua unidade de origem”, atestou o laudo psiquiátrico.

O psicólogo também avaliou que Flordelis evitou falar sobre a morte do seu marido, Anderson do Carmo, e apresentou sinais de ansiedade quando foi questionada sobre o seu relacionamento com ele. Ela apenas relatou comportamentos dele que sugeriam atitudes abusivas contra ela e os filhos. “Manifesta sinais de vergonha e constrangimento ao fazer tais relatos”, escreveu Marcos José.

“Apresenta-se sem queixas e não há presença de sinais ou sintomas sugestivos de transtorno psiquiátrico que justifique medida de internação ou acompanhamento ambulatorial em regime intensivo”, acrescentou.

Flordelis afirmou ao psicólogo que vai provar a sua inocência e pretende voltar a estudar.

Nas considerações gerais, o psiquiatra atestou que Flordelis “discorre com fluidez acerca dos temas arguidos, demonstrando lucidez, clareza de consciência e orientação global”. Já o psicólogo avaliou que a ex-parlamentar “fala de maneira organizada e coerente, com boa articulação verbal”.