Cultura

Flora Süssekind deixa a Fundação Casa de Rui Barbosa depois de 39 anos

Flora Süssekind, uma das principais pesquisadoras da Fundação Casa de Rui Barbosa, que é um dos mais importantes centros de pesquisa do Brasil e referência para pesquisadores de todo o mundo, decidiu se aposentar. Sua aposentadoria foi publicada no Diário Oficial de sexta-feira, 31, quase 40 anos depois de ela ter chegado à instituição como bolsista e é uma consequência dos rumos que a Casa de Rui Barbosa está tomando.

+ SP deve receber cinco milhões de doses de vacina chinesa em outubro, diz Doria

“Eu estava em licença prêmio desde janeiro, pensando se devia de fato sair, se seria mais útil, nesse momento, à Casa Rui, lá dentro ou fora. Conclui pelo fora. Mas é uma dor”, diz a pesquisadora de 64 anos ao Estadão.

A licença à que Flora Süssekind se refere foi tirada logo após a sua exoneração, em janeiro, como chefe do Centro de Pesquisa em Filologia. Na mesma data, foram exonerados ou dispensados outros quatro servidores de funções de chefia, entre os quais a jornalista Jouelle Rouchou, que era chefe do Centro de Pesquisa em História. Ela se aposentou em abril, depois de 32 anos na Casa de Rui Barbosa, que é ligada à Secretaria Especial da Cultura.

A decisão de Letícia Dornelles, presidente da instituição, foi vista na época pelo servidores como política. O grupo estava entre os que questionavam sua nomeação, em outubro de 2019: a jornalista de TV não tem os requisitos mínimos necessários para o cargo e havia sido feita uma eleição interna para definir um nome para a presidência, sugestão que não foi levada em consideração.

A permanência do grupo também era vista como um entrave para transformar a Casa de Rui Barbosa em um museu-casa e diminuir sua produção cultural. A missão da fundação é preservar a memória nacional; formar, preservar e difundir o acervo bibliográfico e documental (estão ali cerca de 150 acervos de importantes intelectuais e escritores, além de coleções); desenvolver estudos e pesquisas em suas áreas de atuação (estudos ruianos, de política cultural, história, direito e filologia) e em cultura brasileira em geral; entre outras atividades.

Por meio da assessoria, em janeiro, Letícia Dornelles disse que a dispensa dos servidores de seus cargos de chefia foi uma medida de “otimização administrativa, decisões de governo”.

O que acontece na fundação carioca é exemplar do que ocorre no País, na opinião de Flora Süssekind. “Como em outras instituições, nomeiam-se para funções de direção espécies de interventores (encastelados) que não preencham minimamente os requisitos de formação ou de experiência em gestão exigidos para o cargo e a isso se seguem tentativas de questionamento ou pendengas jurídicas, que vão sendo proteladas enquanto se trava o funcionamento (cultural/científico) eficaz do órgão, atua-se (velada ou explicitamente) sobre as redes sociais, transformadas em instrumento de propaganda (algumas vezes de autopropaganda) e se amesquinha o potencial de intervenção da instituição no debate público de modo a que, se extinta, a força dessa extinção se tornará crescentemente diminuta.”

Veja também

+ Baleia jubarte consegue escapar de rio cheio de crocodilos na Austrália

+ MasterChef: mesmo desempregado, campeão decide doar prêmio

+ Morre mãe de Toni Garrido: “Descanse, minha rainha Tereza”

+ Após morte de cachorro, Gabriela Pugliesi adota nova cadela

+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago

+ 12 razões que podem fazer você menstruar duas vezes no mês

+ Arqueólogo leva 36 anos para montar maquete precisa da Roma Antiga

+ Senado aprova alterações no Código de Trânsito Brasileiro

+ Por que não consigo emagrecer? 7 possíveis razões

+ O que é pior para o seu corpo: açúcar ou sal?

+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?

+ Educar é mais importante do que colecionar

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea