Flávio é ‘melhor candidato’ contra Lula do que Jair Bolsonaro, diz pesquisador

Renato Dorgan afirma que eleitores rejeitam ex-presidente e senador é visto como 'versão corrigida' do pai, mas precisa ampliar coalizão

Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro
Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Lançado pré-candidato à Presidência da República pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reúne melhores condições do que o pai para enfrentar o presidente Lula (PT) nas urnas em 2026. Essa foi a leitura feita por Renato Dorgan, CEO do instituto de pesquisas Travessia, em entrevista ao programa Como Ganhar uma Eleição, exibido pelo canal da IstoÉ no YouTube.

Flávio é considerado uma espécie ‘versão corrigida’ do pai pelos eleitores. É menos intempestivo, mais polido e político, enquanto Jair perdeu eleitores centralizados nas eleições de 2022. Mesmo se o ex-presidente fosse solto [ele cumpre pena em regime fechado por uma tentativa de golpe de Estado], o filho é melhor candidato”, afirmou Dorgan, especialista na realização de pesquisas qualitativas, que revelam mais do que a declaração de voto.

Na avaliação do pesquisador, a menor rejeição e o trânsito político fizeram o senador superar a concorrência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) pelo posto de presidenciável da família.

Para a disputa eleitoral, no entanto, o pré-candidato terá obstáculos mais duros. “A rejeição do Bolsonaro recai muito mais sobre ele do que sobre os governadores [que deverão concorrer ao Palácio do Planalto], assim como a pecha dos parlamentares extremistas que são seu primeiro batalhão. Ele não compôs com os partidos de centro e terá muita dificuldade para isso, como mostram os movimentos do PSD“, disse o CEO do Travessia.

Desafio está fora da família Bolsonaro

No final de janeiro, o partido presidido por Gilberto Kassab filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em movimento que reuniu três presidenciáveis na sigla, que já tinha os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Na direita, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o fundador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão), também lançaram seus nomes para enfrentar Lula.

Em levantamento de 29 de janeiro, a Paraná Pesquisas mostrou o atual presidente à frente nos cenários de primeiro turno e a disputa contra Flávio como a mais acirrada — 39,8% a 33,1%. Nos cenários de segundo turno, o petista empatou tecnicamente com o senador e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirma publicamente ser candidato à reeleição estadual.

Na avaliação de Dorgan, Lula tem na segurança pública o “nó górdio” para a própria reeleição. “Lula teria uma reeleição pavimentada se tivesse intensificado, de verdade, o combate ao narcotráfico e ao domínio territorial das facções. A percepção do eleitor brasileiro é de que o crime organizado ultrapassou o Estado e a economia”.

CEO do instituto Travessia participou do programa ‘Como Ganhar uma Eleição’ nos estúdios da IstoÉ

CEO do instituto Travessia participou do programa ‘Como Ganhar uma Eleição’ nos estúdios da IstoÉ

Quem é Renato Dorgan

Cientista político e fundador do Camp (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político), foi chefe de gabinete na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) antes de fundar, em 2013, o instituto Travessia. Na empresa, faz pesquisas quantitativas e qualitativas para partidos, candidatos e mandatários em todas as regiões do país.