Lançado pré-candidato à Presidência da República pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reúne melhores condições do que o pai para enfrentar o presidente Lula (PT) nas urnas em 2026. Essa foi a leitura feita por Renato Dorgan, CEO do instituto de pesquisas Travessia, em entrevista ao programa Como Ganhar uma Eleição, exibido pelo canal da IstoÉ no YouTube.
“Flávio é considerado uma espécie ‘versão corrigida’ do pai pelos eleitores. É menos intempestivo, mais polido e político, enquanto Jair perdeu eleitores centralizados nas eleições de 2022. Mesmo se o ex-presidente fosse solto [ele cumpre pena em regime fechado por uma tentativa de golpe de Estado], o filho é melhor candidato”, afirmou Dorgan, especialista na realização de pesquisas qualitativas, que revelam mais do que a declaração de voto.
Na avaliação do pesquisador, a menor rejeição e o trânsito político fizeram o senador superar a concorrência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) pelo posto de presidenciável da família.
Para a disputa eleitoral, no entanto, o pré-candidato terá obstáculos mais duros. “A rejeição do Bolsonaro recai muito mais sobre ele do que sobre os governadores [que deverão concorrer ao Palácio do Planalto], assim como a pecha dos parlamentares extremistas que são seu primeiro batalhão. Ele não compôs com os partidos de centro e terá muita dificuldade para isso, como mostram os movimentos do PSD“, disse o CEO do Travessia.
Desafio está fora da família Bolsonaro
No final de janeiro, o partido presidido por Gilberto Kassab filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em movimento que reuniu três presidenciáveis na sigla, que já tinha os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Na direita, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o fundador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão), também lançaram seus nomes para enfrentar Lula.
Em levantamento de 29 de janeiro, a Paraná Pesquisas mostrou o atual presidente à frente nos cenários de primeiro turno e a disputa contra Flávio como a mais acirrada — 39,8% a 33,1%. Nos cenários de segundo turno, o petista empatou tecnicamente com o senador e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirma publicamente ser candidato à reeleição estadual.
Na avaliação de Dorgan, Lula tem na segurança pública o “nó górdio” para a própria reeleição. “Lula teria uma reeleição pavimentada se tivesse intensificado, de verdade, o combate ao narcotráfico e ao domínio territorial das facções. A percepção do eleitor brasileiro é de que o crime organizado ultrapassou o Estado e a economia”.

CEO do instituto Travessia participou do programa ‘Como Ganhar uma Eleição’ nos estúdios da IstoÉ
Quem é Renato Dorgan
Cientista político e fundador do Camp (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político), foi chefe de gabinete na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) antes de fundar, em 2013, o instituto Travessia. Na empresa, faz pesquisas quantitativas e qualitativas para partidos, candidatos e mandatários em todas as regiões do país.