O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta quarta-feira, 29, que a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal representa o fim da governabilidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Com essa votação, o governo acabou. O governo não tem governabilidade, não tem mais a menor condição de tratar de absolutamente nada aqui. Isso é consequência de muita incompetência e de muita corrupção no governo”, declarou a jornalistas, após a sessão do plenário que rejeitou o nome de Messias.
Para o parlamentar, o resultado prejudica a governabilidade de Lula já em 2026. “Já era esperado. A única certeza que tenho é que a partir de 2027, o Lula não será mais presidente da República. Acho só que estou errando a data. Pode ser a partir de 2026”, continuou o parlamentar.
Flávio negou ter articulado para derrotar Messias e disse que a rejeição partiu de um movimento “espontâneo” dos senadores. O pré-candidato disse, porém, que Lula tem o direito de enviar outra indicação. “Não sei qual vai ser a postura dele. Ele tem direito de indicar mais um. O direito de indicá-lo é do presidente da República, o direito de aprovar o nome é do Senado”, falou.
Tereza Cristina: Senado cumpriu seu papel
A líder da bancada do Progressistas no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que a rejeição da Casa à indicação de Messias foi uma “decisão histórica”. “Foi uma votação soberana da Casa, que cumpriu seu papel constitucional de decidir sobre a composição da Corte Suprema, com total independência do Executivo”, avaliou a senadora em publicação no Instagram.
Messias foi rejeitado por 42 votos contra a 34 votos favoráveis no plenário do Senado Federal. Para ter o nome aprovado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, eram necessários 41 votos favoráveis. É a primeira vez na história recente que um indicado pelo presidente da República é rejeitado pela Casa. O último caso havia sido em 1894.
Moro: cansaço de excessiva proximidade entre presidente e STF
O senador Sergio Moro (PL-PR) avaliou que a derrota reflete “um sentimento da população que está farta desse modelo de excessiva proximidade entre o presidente da República e o Supremo”.
“Nós queremos que haja indicações de pessoas independentes, que têm uma carreira fora do Executivo, não sejam tão vinculadas ao próprio Presidente da República”, afirmou em fala com jornalistas na saída do plenário do Senado, que derrotou a indicação de Messias por 42 a 34.
“Espero que o Supremo possa ele mesmo fazer uma autorreflexão crítica e que as instituições possam funcionar para apurar essas questões que estão sendo colocadas, essas responsabilidades, mas que nós possamos também ter uma discussão aqui saudável em relação à reforma”, acrescentou.
Durante a sabatina de Messias, Moro foi um dos senadores que sugeriram que a vaga aberta na Corte com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso fosse preenchida somente pelo próximo presidente da República.
‘Hoje acaba o Lula 3’
Após uma derrota histórica da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), avaliou que o momento simboliza o fim do governo Lula 3.
“Não tem dúvida que perde capital crítico. Eu acho que inclusive que hoje acaba o Lula 3. Se perde credibilidade, se perde capacidade de articulação. Sem dúvida nenhuma, o governo sofre hoje uma derrota acachapante”, disse Marinho em conversa com jornalistas.