Flávio critica preço dos alimentos; ICL compara inflação nos governos

Durante debate com Lula na Globo, senador afirmou que produtos básicos estão mais caros; levantamento citado pelo ICL aponta diferenças na inflação acumulada entre as gestões

Flávio critica preço dos alimentos; ICL compara inflação nos governos

O preço dos alimentos voltou ao centro da discussão econômica entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial realizado pela TV Globo, nesta sexta-feira (23). O senador criticou o custo de produtos essenciais, enquanto uma checagem publicada pelo ICL Notícias apresentou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para comparar a inflação registrada nos governos Lula e Jair Bolsonaro.

Ao abordar o custo de vida, Flávio afirmou que produtos como arroz, feijão e carne ficaram mais caros durante a atual administração.

Segundo a cobertura em tempo real do ICL Notícias, a declaração foi classificada como imprecisa. O veículo destacou que os alimentos registraram aumento de preços nos dois governos, mas em proporções diferentes.

Inflação dos alimentos é comparada entre governos

De acordo com os números apresentados pelo ICL, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas acumulou alta de 15,9% nos primeiros 44 meses do governo Lula.

No período equivalente da administração de Jair Bolsonaro, o aumento acumulado informado foi de 44,2%.

A comparação considera a variação de preços ao longo de períodos de mesma duração, e não os valores absolutos cobrados atualmente nos supermercados.

Além disso, o comportamento da inflação varia conforme o produto analisado. Arroz, feijão, carnes e outros itens da cesta de consumo podem apresentar trajetórias distintas, mesmo quando pertencem ao mesmo grupo de produtos.

Por isso, a checagem do ICL considerou imprecisa a generalização feita pelo senador durante o confronto.

Flávio menciona falta de dipirona em unidades de saúde

Outro tema abordado por Flávio Bolsonaro foi o abastecimento de medicamentos na rede pública.

O senador afirmou que falta dipirona nas unidades básicas de saúde.

A equipe do ICL classificou a declaração como imprecisa, observando que a última grande crise de desabastecimento de dipirona registrada em hospitais públicos brasileiros ocorreu em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro.

A referência histórica, entretanto, não permite determinar, isoladamente, a situação atual dos estoques de todas as unidades básicas de saúde do país. A disponibilidade de medicamentos pode variar entre municípios e estabelecimentos.

Candidatos discutem endividamento das famílias

O endividamento dos brasileiros também apareceu entre os assuntos econômicos tratados durante o debate.

Flávio Bolsonaro afirmou que pretende comprar dívidas de consumidores endividados, apresentando a medida como uma proposta para enfrentar as dificuldades financeiras das famílias.

Lula respondeu que seu governo já desenvolve iniciativas voltadas à renegociação de débitos.

A cobertura do ICL não detalhou as condições da proposta apresentada pelo senador, como critérios de participação, instituições envolvidas ou fontes de financiamento.

A discussão ocorreu em meio às divergências entre os candidatos sobre renda, consumo e políticas de apoio à população.

Direitos dos animais também entram no debate

Flávio Bolsonaro declarou ainda que pretende ampliar os direitos dos animais.

O ICL classificou a afirmação como falsa, argumentando que o programa de governo registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não contém menções específicas ao tema.

É importante distinguir, porém, a ausência de uma proposta no documento registrado de uma promessa feita posteriormente durante a campanha. A checagem aponta uma divergência entre a declaração e o conteúdo do programa eleitoral consultado.

Os novos episódios foram incluídos na atualização da cobertura do ICL Notícias, publicada às 23h06.

Da IstoÉ