Flávio Bolsonaro pede suspeição de Moraes em caso Banco Master

Senador aponta suposta relação entre o ministro do STF e banqueiro, citando contrato de R$ 80,2 milhões com a esposa de Moraes

O banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes: segundo jornal, eles trocaram mensagens horas antes do dono do Master ser preso pela PF
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes: segundo jornal, eles trocaram mensagens horas antes do dono do Master ser preso pela PF Foto: Montagem/IstoÉ

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para atuar em processos que envolvem o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar argumenta sobre uma possível relação entre Moraes e Vorcaro, citando um contrato do banco com o escritório da esposa do ministro. O pedido foi protocolado nesta última segunda-feira, 1º, e será analisado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

O que aconteceu

  • Flávio Bolsonaro pede a suspeição de Alexandre de Moraes no STF em casos ligados ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
  • O senador aponta uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro, incluindo trocas de mensagens e um contrato de R$ 80,2 milhões com a esposa do ministro.
  • O pedido surge após Moraes solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a inclusão de Flávio em inquérito que mira seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Na petição, os advogados de Flávio Bolsonaro apontam uma possível relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Eles citam supostas trocas de mensagens entre os dois e o contrato firmado pelo Banco Master com a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Segundo documentos fiscais enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, o escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões do banco para prestar serviços jurídicos.

A defesa de Flávio aponta indícios de imparcialidade

O pedido de Flávio Bolsonaro foi feito após Alexandre de Moraes solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a inclusão de Flávio no inquérito que mira seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo Bolsonaro é réu por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado.

O despacho de Alexandre de Moraes atendeu a um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele pediu a investigação de Flávio Bolsonaro após o site The Intercept Brasil revelar que o senador pediu a Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do pai. Cerca de R$ 61 milhões foram pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos (EUA). A suspeita é que o dinheiro tenha sido usado para bancar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras.

Qual o pano de fundo da solicitação?

“Esses dois dados objetivos nos permitem dizer, sempre com o máximo respeito, que sua Excelência não teria a imparcialidade necessária para processar e julgar o requerimento enviado pelo Deputado Federal Lindbergh Farias, mormente porque tal requerimento envolve não só o Banco Master, mas também Daniel Vorcaro”, diz a petição protocolada pelos advogados de Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro também requer que a solicitação de Lindbergh Farias seja retirada do inquérito relatado por Alexandre de Moraes e protocolada em uma nova ação, a ser distribuída “por prevenção” ao ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

*Com Estadão Conteúdo