Aproveitando o tempo livre em casa por conta da quarentena, a atriz Flávia Monteiro, de 47 anos de idade, resolveu interagir com seus fãs e seguidores na rede social e respondeu algumas curiosidades sobre o longa-metragem A Menina do Lado, rodado em 1986 e lançado em 1987, seu primeiro trabalho como atriz. Ela que na época era uma adolescente de apenas 14 anos, interpretou Alice, que vivia um tórrido romance com o jornalista quarentão Mauro, papel do ator Reginaldo Faria.
Mesmo com a grande repercussão do trabalho no cinema, Flávia Monteiro disse que nem tudo foi simples em seu dia a dia. “Não fui rechaçada pela sociedade, pelo contrário. O filme fez um sucesso absurdo. No entanto, as mães dos alunos do colégio onde eu estudava não queriam mais me ver por lá. As mães pediram minha expulsão do colégio. Elas diziam: ‘Como pode uma menina que faz um filme desses ser aceita pelo colégio?’”, lembra. “Sofri bullying. Bullying existe desde que o mundo é mundo. Respeito quem tenha uma cabeça mais careta, mas era preciso deixar claro que eu não sou aquilo que eu faço como personagem”.
Ainda segundo a artista, devido estudar em um colégio católico do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, um líder religioso precisou intervir na questão escolar. “O padre responsável pelo colégio vivia em Roma, na Itália, e teve que vir ao Rio de Janeiro para debater a questão. O mais maravilhoso é que o senhorzino de 80 anos veio, me falou que eu era muito boa aluna e que não interessava o que eu fazia fora do colégio”, disse Flávia.
Com direção de Alberto Salvá, o filme mostra a história de um jornalista casado e de meia idade, que aluga uma casa em uma praia da pacata localidade de Búzios, para conseguir se inspirar e terminar de escrever seu livro. Lá, ele conhece e se apaixona pela adolescente Alice. “Era meu primeiro trabalho, já como protagonista e contracenava com o Reginaldo Faria, de quem eu já era fã. Mas, sem dúvida, meu maior desafio acho que foram as cenas de sexo. Tinha 14 anos e tinha que fazer uma coisa que nem sabia como que era”, diz Flávia, contando que era virgem na época. “Por ser cinema, há toda uma firula por trás. A Elisa (Tolomelli, roteirista) me fez correr pela praia para ficar com a respiração ofegante, me fez subir numa almofada para brincar de cavalinho, essas coisas…”, explicou a atriz.
Ela ainda afirma que o público costuma ter curiosidade sobre a maneira como as cenas de sexo são realizadas. “Todo mundo quer saber se a gente fica constrangida. Eu não tenho a menor dificuldade. Não tenho problema com nudez. Como ator, você tem que ser despudorado. Como pode ser ator com pudor? Não dá”.
Flávia também recordou como foi rodar as sequências calientes. “Fiquei tensa. A primeira deu tensão, mas as outras foram relaxadas. No cinema, há todo um jogo de câmera. Não ficava pelada 100%. O jogo de câmeras ajuda o ator e fui muito bem tratada, respeitada. Eu era uma menina de 14 anos”, concluiu.