Na noite desta quarta-feira, 11, o estádio do Maracanã será palco de uma mobilização que transcende as quatro linhas. Durante o confronto entre Flamengo e Cruzeiro, às 21h30, o clube carioca participa de uma ação de conscientização do Março Lilás, mês dedicado à prevenção do câncer do colo do útero. A iniciativa é capitaneada pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), com suporte da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm).
Resumo
O Flamengo adere à campanha “Março Lilás” na partida contra o Cruzeiro, nesta quarta-feira, 11, no Maracanã.
Ação em parceria com o Grupo EVA e a SBIm foca na prevenção do câncer do colo do útero e na vacinação contra o HPV.
Dados do Inca projetam 19.310 novos casos anuais da doença no Brasil para o próximo triênio.
Especialistas alertam que o aumento de 13,5% na incidência ocorre apesar de a doença ser altamente evitável por vacina e exames.
Antes do apito inicial, gandulas exibirão a faixa ‘Marque um gol contra o câncer. Vacine-se contra o HPV’, enquanto vídeos educativos serão veiculados nos telões. O objetivo é utilizar a capilaridade da maior torcida do País para enfrentar uma estatística alarmante: segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos da doença por ano no triênio 2026-2028 — um salto de 13,5% em relação ao levantamento anterior.
Desafio da adesão e acesso
A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) é a causa de aproximadamente 99% dos diagnósticos deste tipo de câncer. Para a oncologista clínica Andrea Gadelha, presidente do Grupo EVA, o crescimento dos números não se justifica por questões populacionais, mas por falhas na cobertura vacinal e de rastreamento.
“Nós temos vacina contra o HPV e exames capazes de identificar lesões antes que se tornem câncer. O desafio está em garantir acesso e adesão.”
— Andrea Gadelha, presidente do Grupo EVA
A médica reforça que barreiras socioeconômicas e desigualdades regionais ainda impedem que as tecnologias de saúde alcancem todas as mulheres brasileiras. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina gratuitamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos, etapa fundamental para interromper a cadeia de transmissão do vírus.
Prevenção primária e secundária
Mesmo sendo uma doença evitável, o câncer do colo do útero permanece como a terceira causa mais frequente de câncer entre as brasileiras. Além da vacina, o monitoramento por meio do Papanicolau e dos modernos testes de DNA HPV são as armas mais eficazes da medicina atual.
O relatório do Inca traz um alerta severo: o aumento da incidência em patologias passíveis de prevenção primária indica que as campanhas de saúde precisam de maior alcance fora do ambiente hospitalar. A ação no Maracanã busca justamente romper essa bolha informativa, levando a mensagem da prevenção para o centro do debate público.