Fla não igualaria o que arrecada hoje com TV vendendo seus jogos

Coluna: Ricardo Kertzman

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.

Fla não igualaria o que arrecada hoje com TV vendendo seus jogos

Reprodução / Flamengo
Flamengo Foto: Reprodução / Flamengo

O Clube de Regatas do Flamengo tem sinalizado a dirigentes de outros times sua convicção de que conseguiria comercializar sozinho os 19 jogos a que tem direito como mandante no Campeonato Brasileiro por um valor superior ao que fatura hoje no modelo vigente, ou seja, mais de 254 milhões de reais por ano.

No meio da comunicação e do mercado publicitário, contudo, em conversas informais com diversos executivos com larga experiência na aquisição de direitos de TV, os presidentes dos clubes que apoiam as duas “ligas” (LFF e Libra) têm ouvido algo muito diferente: a comercialização isolada dos direitos de transmissão pelo clube carioca não o levaria nem perto dos valores atuais.

A ironia é que, em 2020, o Flamengo foi o principal clube por trás da aprovação da “Lei do Mandante”, que mudou as regras de transmissão e retirou das equipes o monopólio sobre a venda integral de seus jogos – hoje, cada agremiação é dona dos direitos de TV apenas nas partidas em que possui o chamado mando de campo.

Somado a isso, o contrato atual do Flamengo descolou do valor de mercado em função da garantia mínima do Pay-per-view, corrigida por uma inflação elevada nos últimos anos. Como se diz no jargão do futebol, treino é treino, jogo é jogo. A experiência na transmissão da final do campeonato carioca deste ano que o diga.