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Finlândia caminha rumo a grande coalizão para isolar populistas

Finlândia caminha rumo a grande coalizão para isolar populistas

O líder dos social-democratas, Antti Rinne - Lehtikuva/AFP

A ascensão do partido Verdadeiros Finlandeses nas eleições legislativas deste domingo (14) na Finlândia torna inevitável uma grande coalizão entre esquerda e direita, liderada pelos vencedores, os social-democratas, para isolar os populistas – afirmam analistas.

Vinte anos depois de sua última vitória nas legislativas, em 1999, os social-democratas derrotaram os populistas por estreita margem, 0,2%.

“A maior história de suspense eleitoral de todos os tempos”, afirma a manchete do jornal Ilta-Sanomat.

Liderados pelo ex-ministro das Finanças Antti Rinne, os social-democratas conquistaram 40 das 200 cadeiras no Parlamento, uma a mais que os Verdadeiros Finlandeses, segundo os resultados definitivos.

“Não acredito que possamos trabalhar com os Verdadeiros Finlandeses por causa das diferenças”, afirmou à AFP Rinne sobre as divergências com os rivais em temas como a imigração.

A situação pode complicar as negociações, de acordo com a analista política Sini Korpinen.

“Tudo que sabemos é que as negociações serão muito difíceis. A coalizão liderada por Rinne deixará os Verdadeiros Finlandeses à margem, disse Korpinen, antes de explicar que considera a situação “ineficaz”.

A Finlândia tem um sistema proporcional de votação e uma cultura política de consenso, que leva coalizões heterogêneas com frequência ao poder.

Para Korpinen, a política finlandesa caminha para uma “grande coalizão” esquerda-direita integrada pelos social-democratas, o Partido da Coalizão Nacional (38 cadeiras), mas também os Verdes (20), a Aliança de Esquerda (16) e o Partido Popular dos Suecos da Finlândia (liberais, 9 cadeiras).

O país enfrenta, segundo a analista, uma situação similar à de 2011-2015 sob o governo do conservador Jyrki Katainen.

Líder na ocasião de uma coalizão esquerda-direita de pelo menos seis partidos, Katainen foi desautorizado e renunciou por falta de resultados de um Executivo com muitos integrantes e diversos interesses.

“Não acredito que o Partido de Centro integre o governo”, antecipou o atual primeiro-ministro Juha Sipilä, grande perdedor da eleição ao ficar em quarto lugar.

Durante a campanha, Rinne atacou intensamente as medidas de austeridade do primeiro-ministro.

Após a votação, o líder dos Verdadeiros Finlandeses, Jussi Halla-aho, afirmou que estava aberto a uma coalizão, “mas não a qualquer preço”.

Sem dúvida, o político deseja evitar os erros cometidos por seu partido em 2015, quando a formação eurocética participou de um governo de coalizão. “Fomos flexíveis em coisas ruins”, disse.

Em 2017, os Verdadeiros Finlandeses implodiram e abandonaram o governo: a maioria de seus deputados fundou o Nova Alternativa (que depois virou Reforma Azul), o partido que permaneceu no poder, e os demais seguiram seu novo presidente, Halla-aho.

“Não acredito que seja possível que os Verdadeiros Finlandeses participem de um governo sem um compromisso claro de reduzir a imigração”, declarou ao jornal Helsingin Sanomat.

A posição vai contra o compromisso dos social-democratas para facilitar a recepção e a reunificação familiar dos refugiados na Finlândia.