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Fim de jogo

Especulações impulsionam a última e grandiosa temporada de GAME OF THRONES, fantasia épica que fundiu cinema e televisão digital, mudando a forma de consumir séries e influenciar a opinião pública

Fim de jogo

PAR A Rainha e Mãe dos Dragões Daenerys Targaryen (Emilila Clarke) e o herdeiro do Norte Jon Snow (Kit Harrington) se amam e lutam pelo Trono de Ferro: incesto involuntário

A oitava temporada de “Game of Thrones” estreia mundialmente no domingo 14 pelo canal HBO. Compreende os derradeiros seis capítulos da epopeia fantástica sobre guerras dinásticas entre homens e monstros ambientada em um território arcaico imaginário. A série suscita apostas e teorias em torno do destino dos personagens. As especulações têm inflamado os espectadores desde sua estreia.

“É o final para muita gente e não para mim. Quero viver muito porque tenho trabalho a fazer” George R.R. Martin, autor da saga (Crédito:Nick Briggs)

“GoT” converteu a série no produto de ficção mais inovador do século XXI e ajudou a dar origem à “era de platina” da televisão, fato que marcou o triunfo estético da mídia digital sobre o cinema nesta década. Os orçamentos de centenas de milhões de dólares passaram a fluir dos sets de filmagem para os estúdios de televisão. “GoT” explora locações reais, cenários e figurinos majestosos. Por isso, gerou um lucro dez vezes maior do que o custo total das oito temporadas, próximo a US$ 1 bilhão.
O fator tecnológico concorreu para a eficácia do produto. A série se alinhou às redes sociais e promoveu a fusão da estética do cinema com a produção digital. Dessa forma, alterou a forma de consumir séries e divulgar opiniões. Surgiu o “binge watching”, o hábito de assistir a séries compulsivamente. Há dois anos, no Brasil, a moda passou a ser chamada de “maratonar séries”. Do mesmo modo, maratonar as resenhas dos blogueiros, tuiteiros e jornalistas em busca de pistas virou febre. Deu-se uma revolução cultural pop, desencadeada por “GoT”.

O sucesso se apoia, acima de tudo, na capacidade de a trama incendiar a imaginação. O projeto foi criado pelos teóricos literários David Benioff e Daniel Weiss. Fãs de Samuel Beckett, eles se conheceram em Dublin e descobriram outra paixão em comum: George R. R. Martin, até então um autor secundário de RPG. Ao ler os primeiros três volumes da heptalogia “A Guerra dos Tronos” (iniciada em 1996 e ainda no quinto volume), perceberam que os enredos de Martin contavam não só com uma estranheza que seduzia o público jovem como se prestavam a uma série diferente das que já haviam sido produzidas. Levaram o projeto a várias emissoras, até ser aprovado pela HBO. “Foi difícil no início”, diz Weiss. “Parecia impossível convencer os executivos de que uma fileira de peripécias sanguinolentas e eróticas poderia fazer sucesso. Mas conseguimos.”

Nudez e morte

Benioff e Weiss renovaram o folhetim de TV porque intensificaram as reviravoltas e surpresas impensáveis. Alteraram a desgastada lógica linear de formular roteiros adotada por cineastas e dramaturgos. A reversão das expectativas e a abolição da moral causaram um novo tipo de compaixão e pavor junto ao espectador deste século, tolerante a tortura e decapitação. “Se há um aspecto recorrente na nossa série é a imprevisibilidade”, afirma Benioff. “Ela é o motor da história.” Foi assim que muitos heróis virtuosos morreram ao longo dos 67 episódios, entre as mais de 300 mortes que se enfileiraram diante do público. Para a última temporada, a dupla acena com ainda mais mortos, sequências de nudez e batalhas deslumbrantes. Se nas sete anteriores deixaram vazar “spoilers”, nesta têm guardado segredos. Como resultado, o público está mais sedento de sangue do que nunca. HBO, aos domingos às 22h, entre 14/4 a 19/5.

 

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