Brasileiros no Oscar 2027? Veja os filmes mais promissores para a premiação

Embalado por vitória do longa de Walter Salles e prestígio de Kleber Mendonça Filho, Brasil busca manter protagonismo em Hollywood

Grazi Massafera e Rodrigo Santoro em cena de 'Corrida dos Bichos'
Grazi Massafera e Rodrigo Santoro em cena de 'Corrida dos Bichos' Foto: Divulgação

Após a presença de Agente Secreto (2026) e Ainda Estou Aqui (2025) no Oscar – com o segundo levando a estatueta de Melhor Filme Internacional para casa -, se discute quais serão os próximos títulos nacionais com projeção e sucesso de crítica suficiente para integrarem a 99ª cerimônia, a ser realizada em 2027.

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Para o Oscar de 2027, títulos como Feito Pipa, de Allan Deberton, são considerados promissores. Tal como os últimos títulos de sucesso, a história tem vínculo com a cultura local – com um protagonista que sonha em ser jogador de futebol -, mas tem potencial para comover o público de qualquer país.

Outros títulos promissores são a Corrida dos Bichos, de Fernando Meirelles, e A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai.

O primeiro longa é ambientado em solo carioca e retrata conflitos do jogo do bicho, ao passo que o segundo é um documentário que acompanha jovens do interior do Piauí e aborda questões ligadas à família e ao futuro.

Há também Geni e o Zepelim, filme que é baseado na música de Chico Buarque. O filme de Anna Muylaert faz ode à canção da década de 1970, que retrata uma mulher rejeitada pela população local que passa a ter o destino da cidade em suas mãos após a ameaça de um militar.

Veja a lista de filmes brasileiros considerados promissores para o Oscar 2027

  • Corrida dos Bichos – Fernando Meirelles
  • Pequenas Criaturas – Anne Pinheiro Guimarães
  • 100 dias – Carlos Saldanha
  • Feito Pipa – Allan Deberton
  • As Vitrines – Flavia Castro
  • Velhos Bandidos – Claudio Torres
  • Vicentina Pede Desculpas – Gabriel Martins
  • Geni e o Zepelim – Anna Muylaert
  • O Homem de Ouro – Mauro Lima
  • No jardim do Ogro – Leila Slimani
  • A Fabulosa Máquina do Tempo – Eliza Capai

O que um filme brasileiro precisa para ir à premiação

Para um longa-metragem brasileiro competir pelo Oscar, a jornada começa muito antes da cerimônia em Hollywood. A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) é reconhecida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS) como a única entidade autorizada a selecionar o representante nacional na categoria de Melhor Filme Internacional.

É a ABCAA quem abre inscrições, avalia os candidatos e escolhe o título que levará a bandeira do país ao maior prêmio do cinema mundial.

Os requisitos de elegibilidade são rígidos – o filme precisa ter sido lançado e exibido inicialmente no Brasil, em sala de cinema comercial, por no mínimo sete dias consecutivos dentro de um período específico determinado pela AMPAS.

Produções que tenham estreado em televisão aberta, fechada ou plataformas de streaming antes do lançamento comercial nas salas estão automaticamente desqualificadas.

Cumpridas as exigências, os produtores submetem o filme digitalmente à Academia Brasileira, que conduz uma triagem técnica e documental antes de abrir a votação interna.

A seleção final é feita por uma comissão de especialistas. O grupo é composto por até 25 membros: 21 escolhidos em votação entre os associados da Academia Brasileira e 4 indicados pela diretoria com o objetivo de garantir diversidade de perspectivas dentro do colegiado.

A decisão, tomada por maioria simples, define o único título que o Brasil pode inscrever junto à AMPAS – uma regra que vale para todos os países do mundo.

Os brasileiros que já chegaram lá

Até então o Brasil já realizou 55 tentativas de emplacar um filme na categoria, e apenas seis produções conseguiram efetivamente ser indicadas:

  • O Pagador de Promessas (1963)
  • O Quatrilho (1996)
  • O Que É Isso, Companheiro? (1998)
  • Central do Brasil (1999)
  • Ainda Estou Aqui (2025)
  • Agente Secreto (2026)

A proporção revela o nível de competição internacional: dezenas de países disputam cinco vagas, e a preferência histórica dos membros votantes da Academia por produções europeias tornou o caminho ainda mais estreito para filmes da América Latina.

A história brasileira no Oscar, porém, vai além dessa categoria em específico.

Como exemplo, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, recebeu quatro indicações no Oscar de 2004: Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Roteiro Adaptado.

Com isso, é até hoje o filme brasileiro com mais nomeações na história da premiação.

O longa de Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, entretanto, é até hoje o único filme que trouxe uma estatueta do Brasil.

No total, o longa levou mais de 5,5 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadou mais de R$ 120 milhões no país, tornando-se a quinta maior bilheteria de um filme nacional na história.

No discurso de agradecimento, Walter Salles dedicou o prêmio a Eunice Paiva – personagem central da trama sobre a ditadura militar – e às duas atrizes que a interpretaram ao longo do filme: Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.

Fernanda Torres fora indicada ao Oscar de melhor atriz, entretanto a estatueta ficou com Mikey Madison, de Anora.