O cinema de gênero brasileiro amplia suas fronteiras e conquista um espaço de prestígio na edição de 2026 do Festival de Cannes. O longa-metragem “Ilhéus”, sob a direção de Manu Sobral, foi selecionado para integrar o Marché du Film, o mercado oficial da mostra francesa. A exibição está marcada para o dia 18 de maio, no Palais J, consolidando a obra como um dos nomes promissores do audiovisual nacional em solo europeu.
Resumo
Vitrine global: o filme foi selecionado para o Marché du Film, o mercado oficial do Festival de Cannes, com exibição agendada para 18 de maio.
Trama e gênero: a história acompanha uma arqueóloga em uma ilha remota, transitando entre o terror psicológico e uma atmosfera psicodélica.
Produção regional: rodado na Prainha Branca, no Guarujá, o longa movimentou a economia local e contou com profissionais da comunidade em sua equipe.
Histórico de sucesso: baseado em um curta homônimo, o projeto já conquistou o Fantastic Premio Award no Yubari International Fantastic Film Festival, no Japão.
Curadoria: Aa seleção foi conduzida pela VDF Connection, agência focada em cinema autoral e de gênero liderada por Mónica Trigo e Javier Fernández.
A produção mergulha em uma narrativa que desafia os limites entre a ciência e o sobrenatural. A trama acompanha Luana, uma estudante de arqueologia de São Paulo que desembarca em uma ilha remota para investigar rituais fúnebres de uma civilização desaparecida há 1.500 anos. O que começa como uma busca acadêmica rigorosa transforma-se em um pesadelo sensorial: ao desbravar florestas densas, a protagonista confronta entidades que zelam pela memória do local. O filme destaca-se pela construção de um terror psicológico denso, potencializado por uma estética psicodélica.
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Um dos diferenciais de “Ilhéus” reside em sua base comunitária. Rodado majoritariamente na Prainha Branca, no Guarujá, o longa estabeleceu uma relação direta com os moradores locais. Além de movimentar o comércio e a rede hoteleira da região, a produção do Estúdio Zarvos e da RZP Filmes priorizou a contratação de talentos e técnicos da comunidade, transformando o set em um motor de desenvolvimento regional.
O reconhecimento em Cannes é o ápice de uma trajetória que já acumula louros internacionais. O projeto, que nasceu como um curta-metragem premiado, recentemente venceu o Fantastic Premio Award no prestigiado Yubari International Fantastic Film Festival, no Japão. A seleção para o mercado francês foi articulada pela VDF Connection, agência especializada em cinema autoral e de gênero, capitaneada pela curadora brasileira Mónica Trigo e pelo produtor argentino Javier Fernández (do projeto Blood Window).
Durante o festival, que ocorre entre 12 e 23 de maio, a diretora Manu Sobral participará de painéis e rodadas de negócios com os principais nomes da indústria global. A ascensão de “Ilhéus” reflete a maturidade do cinema brasileiro em transitar entre o regionalismo autêntico e os padrões de qualidade exigidos pelos maiores mercados cinematográficos do mundo.