Candidato derrotado à prefeitura de São Paulo em 2024, Pablo Marçal se filiou ao União Brasil, ao lado dos dirigentes do partido, com pedido de coalizão para “resgatar o Brasil” e a exibição de um vídeo enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A filiação ocorreu nesta sexta-feira, 7, em evento na zona sul da capital paulista.
Considerado inelegível pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) em razão da publicação de um laudo falso acusando Guilherme Boulos (PSOL) de consumir drogas na última eleição, o ex-coach não declarou qual cargo pretende disputar em outubro, mas correligionários que subiram ao palco citaram a Câmara dos Deputados e o Senado.
Os recados de Marçal, no entanto, tiveram objetivo nacional. O político afirmou que, com a estrutura do União Brasil — ele veio do nanico PRTB, que não tem representação no Congresso ou tempo de televisão —, poderá “mudar a rota da nação” e se colocou ”à disposição” para contribuir com a candidatura de Flávio, independentemente do papel que terá no pleito.
Em vídeo exibido no evento, o presidenciável chamou Marçal de “guerreiro” e disse contar com ele para a “guerra espiritual” que travará na campanha contra o presidente Lula (PT). Em 2024, a família Bolsonaro apoiou a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e fez críticas ao agora aliado durante a campanha.
Dos dois lados, no entanto, a sinalização é de que as rusgas foram superadas. Marçal, que adotou uma estratégia agressiva na disputa pela capital paulista, usou a filiação para pedir “perdão” ao emedebista, ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pregar união no campo da direita.
O ex-coach prometeu adotar um tom menos belicoso nas próximas disputas, mas não ampliou o pedido de perdão a Boulos, a quem acusou de consumir cocaína, e Tabata Amaral (PSB), que associou à responsabilidade pelo suicídio do pai.
Presidente do PP nacionalizou filiação
Os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do federado PP, senador Ciro Nogueira (PI), também discursaram no evento.
Rueda comparou a chegada de Marçal à filiação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao PSL para as eleições de 2018 — a sigla se fundiu ao Dem para formar o União Brasil.
Já Nogueira, com relações conhecidas do bolsonarismo ao PP, nacionalizou a filiação e afirmou que eleitores que “fizeram o M” em 2024 poderão “virar a página do ‘L’ que atrasa o país” neste ano, em referência a Lula. PP e União Brasil ocupam ministérios do petista e não anunciaram apoio a Flávio para o pleito.