Filhos de Bolsonaro defendem prisão domiciliar após ida do pai para a Papudinha

Moraes determinou assistência médica 24h para Bolsonaro em nova unidade prisional

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Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Foto: AFP/Arquivos

Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usaram as redes sociais para pedir o retorno do pai à prisão domiciliar, após o ex-chefe do Executivo ter sido transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — conhecido como “Papudinha” — por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na quinta-feira (15).

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já vinha criticando as condições de permanência do pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF). O parlamentar chegou a classificar o tratamento dado ao ex-presidente como “tortura psicológica”, afirmando que “nem pedófilo, estuprador e chefe de facção têm tratamento tão desumano assim”.

Com a transferência para a Papudinha, o congressista relembrou o episódio em que Bolsonaro acordou desorientado e sofreu uma queda em uma sala especial da superintendência. “Os remédios que Bolsonaro toma para seu atual problema crônico de soluços têm efeitos colaterais como desequilíbrio e sonolência. Concretamente, já teve uma queda em que bateu com a cabeça. Graças a Deus não foi nada grave, mas poderia ter sido. Poderia, sim, ter sido encontrado morto — SOZINHO — na cela da Polícia Federal”, escreveu Flávio. O senador concluiu pedindo que “a lei seja cumprida” e que o pai seja transferido para casa, “o único local onde esse risco de queda pode ser amenizado”.

No despacho, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro tenha assistência médica integral, 24 horas por dia, com profissionais cadastrados anteriormente, sem necessidade de comunicação prévia. O magistrado também autorizou o deslocamento imediato do ex-presidente para hospitais em caso de urgência, com a obrigação de comunicar o STF em até 24 horas após a ocorrência. Além disso, foram autorizadas sessões de fisioterapia e o fornecimento diário de alimentação especial, sob responsabilidade de uma pessoa indicada pela defesa.

Outros filhos do ex-presidente reforçaram as críticas. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) declarou: “Não se trata apenas da condenação de um ex-presidente, mas de um cenário que revela a fragilização de garantias jurídicas, rigor penal seletivo e desprezo para com as condições humanas e de saúde do condenado”. Para Carlos, a transferência ultrapassa o cumprimento de uma decisão judicial, tornando-se um “confronto institucional”.

Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reafirmou a tese de que não houve crime ou tentativa de golpe. Na sua concepção, a condenação tem objetivos eleitorais: “Alexandre de Moraes não quer que ele tenha influência sobre as eleições deste ano. Este é o real motivo político pelo qual o ministro não cede em enviar Bolsonaro para a prisão domiciliar, o que já seria injusto por si só”.