Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou nesta sexta-feira em um comunicado que decidiu “encerrar o processo disciplinar” que havia iniciado contra o Equador pelo caso de uma possível escalação irregular de Byron Castillo, sem indicar qualquer sanção.

O processo disciplinar havia sido aberto em meados de maio, após a denúncia da Federação Chilena de Futebol, e fez o Equador temer nas últimas semanas por sua presença na Copa do Mundo-2022 (21 de novembro a 18 de dezembro), para a qual conseguiu sua classificação e na qual está no grupo A, juntamente com o anfitrião Catar, Holanda e Senegal.

“O Comitê Disciplinar da Fifa tomou uma decisão sobre a possível violação por Byron David Castillo Segura dos critérios de convocação para participar com a seleção nacional da Federação Equatoriana de Futebol (FEF) em oito partidas classificatórias, correspondentes à fase preliminar da Copa do Mundo da Fifa Catar-2022”, explicou a Fifa no início de seu texto.

“Depois de analisar toda a documentação recebida das partes, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu encerrar o processo disciplinar instaurado contra a FEF”, apontou.

A Fifa destacou que a decisão foi notificada nesta sexta-feira às partes afetadas e que já está aberto o prazo para possíveis recursos.

“De acordo com o Código Disciplinar da Fifa, as partes têm dez dias para solicitar uma decisão fundamentada, que, se solicitada, seria publicada em legal.fifa.com. Esta decisão pode ser recorrida junto ao Comitê de Apelação da Fifa”, disse ele.

A denúncia da Federação Chilena de Futebol à Fifa foi por “uso de certidão falsa, declaração falsa de idade e nacionalidade falsa” de Byron Castillo (23 anos), considerando que ele nasceu na Colômbia.

A Federação Equatoriana de Futebol (FEF) rejeitou as acusações e garantiu em comunicado que Castillo está “devidamente registrado na autoridade legal competente” e que tem “toda a documentação nacional em ordem”.

– Equador comemora, Chile vai recorrer –

Ao saber da decisão desta sexta-feira, a direção da FEF respirou aliviada e comemorou a decisão.

“Hoje a justiça esportiva foi feita, sempre soubemos estar do lado certo, vamos Equador!!!”, escreveu no Twitter o presidente da FEF, Francisco Egas.

Junto a isto, anexou imagens dos documentos oficiais da decisão da comissão disciplinar, nos quais se lê que as acusações são arquivadas e o processo encerrado.

A denúncia do Chile “nos doeu muito” , acrescentou depois Egas em uma entrevista coletiva e não descartou uma ação legal contra essa federação.

Em Santiago a Federação Chilena anunciou que vai recorrer da decisão da Fifa.

“Vamos esperar a fundamentação da decisão e posteriormente recorrer dessa decisão (…) e posteriormente realizar todos os processos que correspondem ao nível legal e ao nível do Tribunal de Arbitragem Esportivo”, disse Pablo Milad, presidente da federação chilena, em coletiva de imprensa.

“As provas eloquentes e fundamentadas que mostramos não foram suficientes. Surpreendentemente, a decisão não nos favoreceu (…) Estamos perdendo por 1 a 0, mas ainda tem o segundo tempo”, disse Milad.

– O caso –

Byron Castillo, que joga pelo Barcelona de Guayaquil, defendeu o Equador em oito jogos das eliminatórias da Copa do Mundo, nos quais sua equipe conquistou 14 pontos.

Castillo jogou pelo Equador nos empates contra Argentina (1-1) e Chile (0-0), nas vitórias contra Venezuela (1-0), Chile (2-0), Bolívia (3-0) e Paraguai (2-0) e nas derrotas contra Paraguai (3-1) e Uruguai (1-0).

O Equador terminou no grupo único das eliminatórias sul-americanas em quarto lugar e obteve assim sua passagem para o Catar.

Caso perdesse os pontos por suspensão, teria visto essa classificação desaparecer e o principal beneficiário teria sido presumivelmente o Chile, sétimo na tabela, mas que teria subido para o quarto lugar, obtendo assim sua vaga para o torneio. Essa possibilidade acabou não se concretizando.

O Equador, portanto, continua sendo uma das quatro seleções sul-americanas classificadas para a Copa do Mundo de 2022, junto com Brasil, Argentina e Uruguai.

A lista pode ser ampliada com uma quinta seleção da Conmebol, se o Peru, que terminou em quinto no grupo sul-americano, vencer a Austrália na segunda-feira em um playoff intercontinental que será disputado no Catar e determinará uma vaga para o Catar.

Além de possíveis sanções relacionadas à classificação da Copa do Mundo de 2022, o Chile também havia solicitado a invalidação de Castillo como jogador profissional e a exclusão da Federação Equatoriana da Copa do Mundo de 2026, que será organizada pelos Estados Unidos, Canadá e México.

O Chile não conseguiu se classificar para o Mundial do Catar-2022 e pela segunda edição consecutiva, depois da Rússia-2018, ficará de fora da maior competição do futebol mundial.

bur-dr/mcd/aam