A Fiat celebra 50 anos de história no Brasil, marcando a inauguração da fábrica de Betim, Minas Gerais, em meio a profundas transformações na indústria automotiva. O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, resume essa trajetória como uma história italiana de sucesso pronta para os desafios do próximo meio século. A ligação da montadora de Turim com o Brasil foi tema de reunião entre Filosa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros, onde foi confirmado o investimento de R$ 30 bilhões da Stellantis no país até 2030 para manter sua liderança de mercado desde 2021.
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O que aconteceu
- A Fiat comemora 50 anos de operação no Brasil, destacando sua fábrica em Betim e a evolução na indústria automotiva nacional.
- O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, se reuniu com o presidente Lula para confirmar um investimento de R$ 30 bilhões até 2030 no país.
- A empresa reforça seu compromisso com a produção local e a inovação, planejando um novo modelo por ano até 2030, incluindo o Argo X.
“Foi uma recepção muito calorosa, muito positiva, reconhecendo os avanços da indústria, que está crescendo, e os avanços da Fiat nestes 50 anos”, declara Filosa em entrevista exclusiva à ANSA. O executivo destaca que o presidente Lula “conhece muito bem” o setor e tem promovido uma política industrial que considera a automotiva “um dos motores principais de desenvolvimento, geração de emprego e geração de oportunidades para fornecedores”. Antonio Filosa viveu quase duas décadas no Brasil, onde constituiu família.
A chegada e o impacto no mercado nacional
A Fiat chegou a Betim em 1976, desafiando a concentração de montadoras na Grande São Paulo. Essa visão estratégica de Gianni Agnelli apostou no Brasil como um celeiro de oportunidades para a marca italiana, e a aposta se provou acertada ao longo dos anos.
Desde então, a Fiat teve um papel determinante na evolução do setor automotivo brasileiro. A montadora inovou com o 147, o primeiro carro a álcool produzido em série globalmente, e popularizou o automóvel no país com o Uno Mille. Atualmente, modelos como a picape Strada, o carro mais vendido do Brasil, o SUV Pulse, o crossover Fastback e a picape média Toro são pensados e desenvolvidos por brasileiros, para brasileiros. O Brasil é o maior mercado da marca no mundo, responsável por cerca de 40% de suas vendas globais, mantendo as raízes italianas.
“Essa é uma história italiana muito bonita no coração do Brasil, de uma empresa que escolheu o Brasil para prosperar junto com o país”, afirma Filosa. Ele ressalta a colaboração entre brasileiros e italianos, unindo “o otimismo, a resiliência e a criatividade brasileira” com a “capacidade italiana de se adaptar, o design, a força da marca”.
Localização e inovação: a estratégia Stellantis
Essa combinação resultou em um modelo de produção local que, anos depois, seria incorporado pela Stellantis. “Nossa receita nunca passou por importações massivas, nunca passou por CKD e SKD [sistemas nos quais os carros são apenas montados localmente]. Sempre foi uma receita fundamentada em uma estratégia consciente e clara de inovação com localização”, explica o CEO.
O cenário atual brasileiro observa uma crescente presença de carros importados da China, impulsionando o interesse do consumidor por eletrificação. A própria Stellantis, por meio da chinesa Leapmotor, já anunciou planos de produção no polo automotivo de Goiana, em Pernambuco, reafirmando sua estratégia de localização.
Qual o futuro da Fiat no brasil nos próximos 50 anos?
Para manter sua liderança no mercado, a Fiat prepara o lançamento do Argo X, que competirá no segmento de entrada. A meta da marca é lançar um modelo totalmente novo por ano até 2030. “Nossa história não acaba; ao contrário, se lança para o futuro para ser ainda mais bonita nos próximos 50 anos”, garante Antonio Filosa.
Da IstoÉ com ANSA.