Fiasco anunciado

Tive um pesadelo.

Era Sete de Setembro e um Bolsonaro fardado, estava montado em um cavalo, às margens do Ipiranga, cercado por dezenas de seus generais, entre eles Pazuello, Braga Netto e Mourão.

A certa altura, o presidente ergue sua espada e dispara um grito ameaçador:

– Independência ou morte!

Buscando aprovação, Bolsonaro olha em volta. Encabulados, os generais discordam com um movimento negativo com a cabeça. O presidente repete o gesto:

– Independência ou prisão!

Os generais baixam a cabeça, constrangidos. Mourão avança com seu cavalo e cochicha algo no ouvido do presidente que, agora seguro de si, grita por uma terceira vez:

– Independência, ou vitória!

Acordei suando frio.

Sabendo que os bolsonaristas preparam uma manifestação de apoio gigantesca para Sete de Setembro, meu inconsciente pregou essa peça.

Não tenho talento para analisar sonhos, mas você há de convir que a cena é patética.

Mesmo assim, está alinhada com o que acredito que acontecerá na terça-feira próxima.

Ocorre que, ao contrário de muita gente que teme um levante inconstitucional, desconfio que será mais um fracasso de nosso líder supremo.

Simplesmente porque tudo que o presidente faz, dá em nada.

Bolsonaro já provou que não tem nenhuma capacidade de levar a cabo o que planeja.

É um trapalhão.

Ao longo de sua carreira, seja no Exército, no Congresso ou na Presidência, Bolsonaro nunca fez nada certo.

Militar, foi expulso do Exército por sua própria incompetência.

Deputado, jamais submeteu ou aprovou um único projeto digno de nota em 27 anos.

Presidente, desnecessário dizer a quantidade de desastres que falou e aprontou.

O mais recente foi sugerir que a população compre fuzis ao invés de feijão.

A afirmação, não fosse pelo perigo de algum desvairado seguir sua sugestão, beira o risível.

O brasileiro alienado que ainda acredita no mandatário, mal tem dinheiro para o feijão, que dirá para o fuzil.

O blindado queimando óleo é a melhor metáfora desse governo

A frase é apenas Bolsonaro sendo Bolsonaro.

A suspeita é que o presidente usará o movimento de Sete de Setembro como um termômetro para testar como pode evoluir sua estratégia bélica para se manter no poder.

Há quem acredite que o presidente prepara um golpe, unindo as polícias militares de todos os Estados, seus seguidores tresloucados e, quem sabe, a parcela das Forças Armadas descolada da realidade.

O temor é que dia Sete de Setembro entre para a história como o dia D da investida Bolsonarista contra a democracia.

Já eu, profetizo que vem aí mais uma de suas pataquadas.

Agora perfeitamente acordado, lembro do recente desfile dos veículos militares.

Inicialmente temido, não passou de um episódio de comédia de pastelão digna de uma República de bananas.

O blindado queimando óleo é a melhor metáfora desse governo, pois não bota medo em ninguém.

Isso é Bolsonaro.

Passa uma vergonha atrás da outra.

Por falar em profecia, vamos analisar a tal frase que deu origem ao sonho.

“Meu futuro é ser “preso, morto ou vitorioso”.

Mata-lo ninguém vai. O brasileiro pacato mal bate panelas, que dirá assassinar um presidente.

Vitorioso na eleição de 2022 é também uma possibilidade distante já que, por mais barulhenta que seja sua turba de fanáticos, não tem número suficiente para elegê-lo.

Portanto, segundo o próprio presidente, seu destino deve ser mesmo a cadeia.

Sendo assim, no próximo Sete de Setembro, vamos comemorar.

Vem aí nossa nova Independência.


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