Um levantamento do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) aponta que empregadores deixaram de recolher aproximadamente R$ 79 bilhões ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo a entidade, a inadimplência pode ter prejudicado cerca de 50 milhões de trabalhadores brasileiros.
Os dados ganham destaque no momento em que o FGTS completa 60 anos. Criado em 1966, o Fundo funciona como uma reserva financeira vinculada ao trabalhador e pode ser utilizado em situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aquisição da casa própria, aposentadoria e determinadas doenças graves.
Segundo o levantamento, a dívida está dividida principalmente entre valores já inscritos na Dívida Ativa da União e débitos identificados em notificações mais recentes.
Dívida bilionária do FGTS
Do total estimado pelo IFGT, cerca de R$ 66 bilhões correspondem a débitos de aproximadamente 500 mil empresas inscritos na Dívida Ativa da União. A recuperação desses recursos está sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Outros R$ 12,6 bilhões estão relacionados a notificações mais recentes e, segundo o instituto, atingem aproximadamente 11 milhões de trabalhadores.
O levantamento também aponta que parte das empresas responsáveis pelos débitos fechou as portas ou entrou em recuperação judicial. Ainda assim, de acordo com o IFGT, cerca de 95% dos empregadores devedores permanecem em atividade.
Como saber se o FGTS está sendo depositado?
O trabalhador pode acompanhar os depósitos realizados pelo empregador por meio do extrato de sua conta vinculada ao FGTS.
Pelas regras do Fundo, os empregadores devem depositar mensalmente, em regra, o equivalente a 8% da remuneração do funcionário em uma conta vinculada ao contrato de trabalho.
A ausência de depósitos pode reduzir o dinheiro disponível justamente em momentos nos quais o trabalhador possui direito ao saque, como em uma demissão sem justa causa.
O IFGT também lançou uma ferramenta de análise de extratos que permite identificar possíveis períodos sem recolhimento. A iniciativa utiliza informações do extrato obtido pelo trabalhador no aplicativo oficial do FGTS.
FGTS teve resultado positivo em 2025
Apesar dos R$ 79 bilhões em depósitos não realizados apontados pelo levantamento, o valor não significa que o próprio FGTS tenha registrado prejuízo desse montante.
Dados oficiais mostram que o Fundo encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 125,98 bilhões e resultado positivo de R$ 14,65 bilhões.
Em julho, o Conselho Curador do FGTS aprovou a distribuição de aproximadamente R$ 13,04 bilhões do resultado de 2025 para cerca de 138,2 milhões de trabalhadores que possuíam saldo em contas vinculadas em 31 de dezembro do ano passado.
Com a distribuição, a rentabilidade das contas referente a 2025 chegou a 6,90%, acima da inflação oficial registrada no período.
Da IstoÉ
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