O diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera, rechaçou nesta quinta-feira (3) os apelos de um coletivo de artistas para hastear a bandeira da Palestina no evento, que começou na última quarta (2) e segue até 12 de setembro. Ele justificou que a Bienal de Veneza, organizadora do festival, só pode expor estandartes de “Estados reconhecidos pelo governo italiano”, o que não inclui a Palestina.
- O diretor do Festival de Cinema de Veneza rejeita pedido para hastear a bandeira da Palestina.
- A decisão é justificada pela Bienal de Veneza, que só aceita bandeiras de países reconhecidos pela Itália.
- Um coletivo de artistas, incluindo a Nobel Annie Ernaux, havia feito o apelo e planeja uma manifestação em Roma.
Barbera explicou que “não há margem” para atender à solicitação, pois a Bienal de Veneza, que organiza o festival, tem como norma exibir apenas os estandartes de “Estados reconhecidos pelo governo italiano”. Ele enfatizou que “o governo italiano é um dos poucos que ainda não reconheceram a Palestina”. Portanto, a questão deveria ser direcionada ao Estado italiano, e não à organização do festival, conforme declarado em coletiva de imprensa.
Qual a justificativa para a recusa?
Barbera reforçou que a Bienal “não faz declarações políticas, não toma partido diretamente”. No entanto, a instituição expressa sua posição “através do trabalho que realiza, dos filmes que exibe, da defesa absoluta e rigorosa da liberdade de expressão e da criação de um espaço aberto a todos para discussão e debate”.
O pedido foi inicialmente articulado pelo coletivo Venice4Palestine, que agrega trabalhadores e proeminentes personalidades da cultura. Entre os signatários estão a vencedora do Nobel de Literatura Annie Ernaux, o músico Roger Waters, o cineasta Matteo Garrone, e os atores Greta Scarano, Jasmine Trinca e Luigi Lo Cascio.
Artistas pedem solidariedade à Palestina
Em um comunicado subsequente, o Venice4Palestine solicitou que a Bienal de Veneza “vá além dos protocolos” e adote “uma posição pública que se traduza em um gesto concreto”. O coletivo planeja uma manifestação em 9 de setembro diante da Câmara dos Deputados da Itália, em Roma, para exigir solidariedade à causa palestina.
Curiosamente, um dos filmes concorrentes ao Leão de Ouro, “Naza”, dos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, aborda diretamente o conflito na Faixa de Gaza. O documentário investiga os métodos empregados pelo Exército de Israel para estimar as potenciais vítimas civis em seus ataques ao enclave palestino, que tem sido assolado pela guerra desde outubro de 2023.