Brasileiros do Ano 2017

A festa do equilíbrio

Ao homenagear os brasileiros que fizeram a diferença em 2017, o prêmio Brasileiros do Ano embalou as boas notícias na economia e refletiu a busca do País por um caminho de harmonia, justiça e inclusão social, sem espaço para radicalismos


1-Celso Athayde, CEO da Favela Holding/2-Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural/3-Paulo Rogério CafFarelli, presidente do Banco do Brasil/4-Flávia Bittencourt, presidente da Sephora no Brasil/5-Guilherme Paulus, presidente do Conselho da CVC/6-Paulo Skaf, presidente da FIESP/7-Frederico Trajano, presidente do Magazine Luíza/8-Antonio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador/9-João Doria, prefeito de São Paulo/10-Carlos José Marques, diretor Editorial da Editora Três/11-Álvaro Dias, senador/12-Arthur Virgílio, prefeito de Manaus/13-Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente da Embraer/14-João Carlos Martins, maestro/15-Luciano Huck, apresentador de TV/16-Isis Valverde, atriz/17-Hélder Barbalho, ministro da Integração Nacional/18-Alan Ruschel, jogador de futebol/19-Sergio Moro, juiz federal/20-Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três/21-Michel Temer, presidente da República/22-Eunício Oliveira, presidente do Senado/23-Henrique Meirelles, ministro da Fazenda/24-Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência/25-Alexandre Baldy, ministro das Cidades/26-Antonio Imbassahy, ministro-chefe da Secretaria de Governo/27-Juliana Paes, atriz/28-João Paulo Barrera, estudante
JUSTIÇA O juiz Sergio Moro discursa depois de receber o prêmio Brasileiro do Ano

Ao contemplar um palco plural, o prêmio Brasileiros do Ano de 2017 foi o espelho daquilo que se espera para 2018, quando enfrentaremos uma quadra decisiva para o País, as eleições presidenciais – uma das mais importantes da história recente. Num momento de intolerância e radicalização vivido pelo País, à direita e à esquerda, a homenagem aos brasileiros que marcaram o ano em suas respectivas áreas refletiu o equilíbrio. Tanto na representatividade dos premiados, como no tom dos discursos, a harmonia se impôs. Nada que impedisse, no entanto, que a solenidade fosse reconhecida também por outra característica igualmente genuína e notável: a emoção. Realizado na última terça-feira 5 no Tom Brasil, em São Paulo, o evento foi o primeiro sem a presença do fundador da Editora Três, Domingo Alzugaray, falecido em julho deste ano. Logo na abertura, um vídeo sobre a trajetória de Domingo, o “inventor de revistas”, levou familiares, premiados e público às lágrimas. E foi ainda com a voz embargada, que, parafraseando seu pai, o presidente executivo da Editora Três, Caco Alzugaray incumbiu-se da “abertura dos trabalhos”. O discurso, além de exaltar o papel de seu pai ao longo dos 40 anos em que esteve à frente da editora, esteve temperado de otimismo para 2018. “Domingo era otimista e temos agora motivos de sobra para sermos otimistas. Após o ápice da crise, que nos levou a dois anos de recessão superior a 8,5%, vamos crescer este ano e no ano que vem, com uma queda vertiginosa da inflação. Voltamos aos trilhos por causa da pragmática atitude antipopulista deste governo”, disse Caco, ao lado do presidente Michel Temer –, que eternizou Domingo Alzugaray com a Medalha ao Mérito Cultural, uma homenagem post-mortem, anunciada no encerramento do evento. A honraria foi concedida no passado a grandes e notórios brasileiros, como Jorge Amado e Ariano Suassuna.

A FORÇA DA DEMOCRACIA Caco Alzugaray, presidente da Editora Três, ladeado pelo presidente Michel Temer e pelo juiz Sergio Moro (Crédito:Kandrade)

Sem retrocessos

A subida ao púlpito do principal homenageado da noite, o juiz federal Sergio Moro, eleito o “Brasileiro do Ano”, foi o outro ponto alto da solenidade. Aplaudido de pé, Moro entabulou um discurso sóbrio, em que dividiu os méritos da premiação concedida pela Editora Três com os demais integrantes do Judiciário, o time da Lava Jato em especial. Embora cirúrgico nas palavras, não deixou de cobrar – mesmo que de maneira respeitosa – para que os políticos presentes à mesa que auxiliassem a Justiça a manter a prisão para condenados em segunda instância, hoje ameaçada por articulações de toda a sorte. “Não são aceitáveis retrocessos”, afirmou Moro. O magistrado também voltou a pedir o fim do foro privilegiado. “É necessária a revisão do instituto do foro privilegiado. Primeiro porque ele é contrário ao princípio fundamental da democracia, que é o princípio do tratamento igual”. Para ele, a prerrogativa deveria ser mantida apenas para presidentes dos Poderes. “Para os demais, o foro especial deve acabar. Inclusive para os juízes, como eu. Não quero para mim”, disse, sendo ovacionado na sequência.

O PESO DOS MINITROS Henrique Meirelles (Fazenda), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Alexandre Baldy (Cidades) abaixo

Fazendo jus à vertente democrática da festa, o presidente Michel Temer cobrou, num sucinto pronunciamento, a aprovação da reforma da Previdência “para combater os privilégios. O que a reforma faz é proteger os pobres, que na verdade pagam para poucos, manterem os privilégios do serviço público”, afirmou. O ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, fez coro. Para ele, “o povo está convencido de que se aprovarmos a reforma, viveremos um momento virtuoso, mas se não aprovarmos, poderemos colocar em risco tudo o que já fizemos até aqui, que foi colocar o País nos trilhos”. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, premiado como o Brasileiro do Ano na Economia, não deixou de pontuar os inquestionáveis avanços conquistados pela área comandada por ele em 2017. “Atribuo o prêmio à mudança que estamos fazendo no Brasil. A economia está passando por uma profunda transformação. Os indicadores mostram esse progresso. O emprego voltou a crescer. Teremos o melhor Natal em anos. São resultados de um trabalho firme e sério que começou com o ajuste fiscal”.

Celso Athayde e Alexandre Baldy

O primeiro escalão de Temer marcou presença no evento. Além de Meirelles e Moreira Franco, compareceram à solenidade os ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Alexandre Baldy (Cidades). Outros políticos de peso compuseram o palco da festa, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira, o senador Álvaro Dias, o prefeito de Manaus, Arthur Virgilio e o prefeito de São Paulo, João Doria. O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, sempre rodeado de pessoas influentes na cena nacional, foi mais uma personalidade de destaque a prestigiar a solenidade. O prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, homenageado como Brasileiro do Ano na Política, pelo fato de ser o prefeito mais bem avaliado do País, não conteve a satisfação. “Divido a homenagem com os baianos e soteropolitanos. Ser escolhido como o político de destaque no ano é uma alegria, ainda mais neste momento pelo qual passa a política brasileira”, disse ACM Neto, ao receber o troféu de Moreira Franco.

600 TALHERES Os convidados lotaram o salão do Tom Brasil, casa de espetáculos de São Paulo (Crédito: Marco Ankosqui)

Integrantes do mundo artístico, as atrizes Juliana Paes e Isis Valverde, eleitas como as “Brasileiras do Ano” na categoria Televisão, emprestaram brilho e simpatia ao evento. Esfuziante com um vestido prateado, Juliana lembrou que “foi muito difícil fazer papel de bandida, principalmente nesses tempos que vivemos no Rio de Janeiro. Achei que fosse apanhar na rua, mas me surpreendi com o apoio das pessoas, que passaram a torcer pela Bibi”. Já Isis Valverde, que despedaçou corações com sua personagem Ritinha, na novela “Força do Querer”, disse que foi um presente “fazer uma personagem que escancarou a fantasia do povo”. O apresentador Luciano Huck, contemplado com o prêmio na categoria Comunicações, aproveitou a solenidade para reiterar que, embora não seja candidato a presidente da República, continuará a se envolver com temas de interesse do País. “Não sou candidato, mas não tenho como deixar de olhar o problema e não achar que não faço parte dele. Este País é extremamente desigual e se a gente não se preocupar de fato, a gente não vai ter mudanças de fato”, explicou.

 

Outra sensação da noite foi o menino João Paulo Barrera, de 7 anos, o primeiro garoto brasileiro a receber um prêmio da NASA. Agraciado como Brasileiro do Ano na Educação, ele encantou a platéia ao ler um discurso escrito de próprio punho. “Minha missão é ensinar as crianças a gostarem de ler, pesquisar e proteger o planeta Terra”, disse João Paulo, esbanjando carisma. Quem também tocou o coração do público, embora de maneira distinta, foi o jogador da Chapecoense, Alan Ruschel, sobrevivente do desastre aéreo que matou 71 pessoas no final do ano passado, em sua maioria jogadores do time da cidade de Chapecó. Premiado como o Brasileiro no Esporte, Ruschel personificou a volta por cima, no momento em que o Brasil caminha para respirar novos ares, longe do “populismo mal intencionado” do passado, do qual lembrou bem o presidente executivo da Editora Três, Caco Alzugaray. As palavras de fé de cada um dos homenageados mostram que, longe dos radicalismos, temos tudo para pavimentar um País melhor e mais justo para todos em 2018.

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