São Paulo teve recorde de feminicídios no início de 2026; capital registra queda

Estado contabilizou 107 vítimas entre janeiro e abril, maior número para o período desde 2018; dados mais recentes apontam redução de 19,1% na cidade de São Paulo até setembro

São Paulo teve recorde de feminicídios no início de 2026; capital registra queda

A violência contra mulheres continua sendo um dos principais desafios da segurança pública em São Paulo. Dados divulgados ao longo de 2026 mostram que o estado registrou 107 feminicídios nos primeiros quatro meses do ano, o maior número para esse intervalo desde 2018. Em contrapartida, um levantamento mais recente aponta redução das ocorrências na capital paulista entre janeiro e setembro.

A diferença entre os indicadores revela a importância de analisar separadamente os números estaduais e municipais, além dos períodos considerados em cada levantamento.

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a cidade de São Paulo contabilizou 38 feminicídios de janeiro a setembro de 2026, contra 47 no mesmo período do ano anterior. A redução foi de 19,1%.

Apesar da queda na capital, o recorde estadual registrado no início do ano mantém em evidência a necessidade de ampliar as políticas de prevenção e proteção às mulheres.

Estado registrou 107 feminicídios em quatro meses

Entre janeiro e abril de 2026, o estado de São Paulo contabilizou 107 casos de feminicídio.

A distribuição mensal mostra que janeiro teve 27 ocorrências, fevereiro registrou 30, março também contabilizou 30 e abril apresentou 20 casos.

O total foi o maior para os quatro primeiros meses do ano desde 2018, início da série histórica considerada no levantamento.

Na comparação com o mesmo intervalo de 2018, quando foram registrados 35 casos, o aumento chegou a aproximadamente 206%.

Os números evidenciam a persistência da violência letal contra mulheres, frequentemente associada a situações de violência doméstica, relações abusivas e ameaças anteriores.

É importante destacar que os 107 registros correspondem ao estado inteiro, e não apenas à capital paulista.

Capital apresenta redução até setembro

Em um recorte mais recente, a Secretaria da Segurança Pública informou que os feminicídios diminuíram na cidade de São Paulo entre janeiro e setembro deste ano.

Foram 38 ocorrências em 2026, ante 47 no mesmo período de 2025.

Os dados também indicam aumento no número de prisões de suspeitos de violência doméstica na capital.

Segundo a secretaria, foram registradas 2.881 prisões relacionadas a esse tipo de crime nos nove primeiros meses de 2026, contra 2.114 no período equivalente do ano anterior. A alta foi de 36,3%.

O crescimento das prisões e a redução dos feminicídios na capital são indicadores relevantes, mas não permitem, isoladamente, estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Além disso, os resultados municipais não representam necessariamente o comportamento dos índices no restante do estado.

Medidas protetivas e atendimento especializado

O enfrentamento à violência contra mulheres depende de uma rede de atendimento capaz de identificar situações de risco e agir antes que as agressões se agravem.

Entre os instrumentos previstos na legislação brasileira estão as medidas protetivas de urgência, que podem determinar o afastamento do agressor, proibir aproximação ou contato com a vítima e estabelecer outras restrições.

O governo paulista informa que mantém delegacias especializadas, serviços de atendimento remoto e mecanismos de monitoramento voltados à proteção de mulheres ameaçadas.

Uma das ferramentas disponíveis é o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne recursos de orientação e acesso a serviços de proteção.

Especialistas em segurança pública e enfrentamento à violência de gênero destacam a importância de integrar o trabalho policial aos serviços de saúde, assistência social e acolhimento.

Essa articulação é especialmente relevante nos casos em que a vítima depende financeiramente do agressor ou enfrenta dificuldades para deixar o ambiente de violência.

O que caracteriza o feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de gênero.

A legislação brasileira considera essa circunstância quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.

O feminicídio não se confunde com qualquer homicídio cuja vítima seja mulher. Sua caracterização depende das circunstâncias previstas na lei.

A identificação correta dos casos é essencial para a produção de estatísticas confiáveis e para o desenvolvimento de políticas públicas.

Também é importante observar que mudanças na qualidade dos registros e na classificação policial podem influenciar comparações entre períodos.

Como denunciar a violência contra mulheres

Mulheres em situação de violência podem procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher ou qualquer unidade policial para registrar a ocorrência e solicitar orientação sobre medidas de proteção.

Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

O Ligue 180 oferece orientações sobre direitos, serviços de atendimento e encaminhamento de denúncias de violência contra mulheres.

Familiares, amigos e testemunhas também podem comunicar situações de violência às autoridades.

Embora a redução registrada na capital represente um resultado positivo, o elevado número de vítimas no estado durante o primeiro quadrimestre demonstra que o enfrentamento ao feminicídio continua exigindo atenção permanente.

Da IstoÉ