Felipe Antunes e o CD como objeto de arte

Ouça o disco, leia o livro e veja as fotos. É mais ou menos assim que funciona “Lâmina”, o primeiro álbum-solo de Felipe Antunes – compositor, cantor e guitarrista do Vitrola Sintética. “Lâmina” é um disco-livro que aproxima música e literatura de uma maneira inédita. “Eu entendo que é um objeto de arte e por isso não tem a necessidade de seguir o padrão de CDs do mercado”, diz o autor, que entende a obra como um “livro de processo”. Daí a escolha do material publicado: além das letras de suas músicas, há um prefácio assinado pelo também cantor e compositor Maurício Pereira, o manuscrito de um poema, fotos que Felipe fez em viagens e retratos das pessoas que participaram do disco. A capa traz uma imagem do premiado fotógrafo espanhol Chema Madoz.

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Lâmina é o primeiro álbum-solo de Felipe Antunes (Foto: Marcelo Baptista)

Tudo foi escolhido de modo a criar uma espécie de assinatura do artista, elementos que juntos vão narrando uma história sentimental ligada às suas memórias afetivas. Abrindo o disco, a avó materna, dona Natália, de 84 anos (também fotografada no livro), canta um trecho de uma música que a acompanha desde a infância em Portugal. Em outra gravação, ouve-se o som de uma rabeca feita artesanalmente pelo avô. No meio de tudo, Felipe recita um poema de quase cinco minutos. Curiosamente, a decisão de declamar os versos no disco (que ele também leva para seus shows) teve início em um retiro budista no qual a fala era vedada. “Isso vai ao encontro do que o zen budismo entende como a prática da atenção”, afirma Felipe, citando um comentário de Maurício Pereira: “É para ouvir sozinho, numa cabana”. Sim, mas não só. “Lâmina” exige envolvimento do ouvinte, e por isso faz todo o sentido ele vir dentro de um livro-processo.

Felipe Antunes, 33, é compositor e vocalista da banda Vitrola Sintética, grupo com o qual gravou três discos e que na semana passada comemorou duas indicações ao prêmio Grammy Latino pelo CD “Sintético”, de 2015, nas categorias Melhor Artista Novo e Melhor Engenharia de Som. Antes, o prêmio Melhores da Música Brasileira havia escolhido “Sintético” entre os melhores álbuns de 2015 – e a canção “Faz Um Tempo” como a segunda melhor do ano. Gravado no estúdio Submarino Fantástico, em São Paulo, entre junho de 2015 e março de 2016, “Lâmina” traz 12 canções inéditas, algumas com participações muito especiais: Helio Flanders, do Vanguart, Ná Ozzetti e Juliana Perdigão. Os convidados dividem o palco com Felipe no show de lançamento do livro-disco “Lâmina” na terça-feira 27, dentro do “Prata da Casa”, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Ouça a seguir “Acomodar”, uma das faixas do disco que revelam o estilo peculiar de Felipe Antunes. E confira mais do trabalho dele de seu universo musical na playlist ao lado.

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