Esportes

Federer e Nadal agitam política do tênis nos bastidores do US Open

Os bastidores do US Open vão contar com tempero extra nesta edição, em razão da movimentação política no Conselho dos Jogadores. O importante órgão, que tem influência direta na gestão da ATP, passou a ter dois acréscimos de peso a partir da reunião realizada na sexta-feira, em Nova York: Roger Federer e Rafael Nadal.

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Ambos voltaram para ajudar a entidade, que se viu envolvida em polêmicas nos últimos meses. Os episódios direcionaram holofotes sobre o Conselho e causaram a saída de três tenistas: o holandês Robin Haase, o britânico Jamie Murray e o ucraniano Sergiy Stakhovsky. Federer, Nadal e o austríaco Jürgen Melzer entraram em seus lugares, com mandato até a edição 2020 de Wimbledon.

O retorno de Nadal e Federer gerou expectativa inicial de que eles podem desequilibrar as forças políticas dentro do Conselho, que conta com 12 integrantes. A dupla poderia se colocar na oposição a Djokovic, deixando o sérvio mais isolado na entidade.

O brasileiro Bruno Soares, contudo, minimiza qualquer chance de atrito dentro do órgão. “O clima da primeira reunião, já com a presença deles, foi normal. O retorno deles não deve causar nenhuma divisão no Conselho. Obviamente, quando se juntam dez pessoas numa sala e você tem que votar certos assuntos, as opiniões serão diferentes. Isso é normal. Mas não acho que vai criar divisões”, disse, ao Estado, o tenista que integra o órgão.

“Estou há cinco anos no Conselho e nem toda decisão nossa é unânime. É difícil isso acontecer”, revelou o duplista. “Naturalmente, a recepção deles foi superpositiva. É muito bacana poder ter os três melhores do mundo bem ativos no Conselho. E apoiando a causa dos jogadores, mostrando interesse em fazer a diferença. O mais importante para a gente é a força que criamos quando temos os três melhores do mundo à nossa frente.”

Para o brasileiro, a movimentação política nos bastidores não deve afetar o que acontece durante os jogos. “Acho que as decisões não mudam a rivalidade dentro de quadra. Para nós, é bem claro que ali estamos tomando decisões que acreditamos que sejam as melhores para o esporte, para todos os jogadores, de forma geral, e não defendendo interesses próprios. Esse é o desafio de cada jogador ali presente”, afirmou.

O primeiro grande motivo de atrito entre o Conselho e os demais tenistas foi a posição favorável da entidade a favor da saída de Chris Kermode do cargo de presidente da ATP ao fim deste ano. Nadal e Federer, além de outros tenistas do Top 20 do ranking, se manifestaram publicamente contra a saída do dirigente.

Também causou desgaste, principalmente entre Djokovic e outros membros do Conselho, a saída de Justin Gimelstob. O norte-americano, que era um dos três representantes dos jogadores no Board da ATP, foi condenado pela Justiça dos EUA por agressão. Sua saída era pedida por tenistas antes mesmo da condenação. O sérvio foi um dos poucos que defendeu o ex-jogador. “No último ano, tivemos alguns altos e baixos em muitos assuntos”, admitiu Nadal, logo após o anúncio do seu retorno ao órgão.

O Conselho dos Jogadores tem como sua maior função discutir as demandas dos tenistas, dos juvenis aos profissionais, a serem encaminhadas à ATP. Sistema de pontuação do ranking, calendário e premiações são alguns dos principais temas discutidos. Neste ano, também passaram a discutir sobre a Copa da ATP, novo torneio entre países que terá sua estreia no circuito em janeiro de 2020.

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