São Paulo, 1/6 – As perdas causadas pelo clima desfavorável na safra de verão brasileira e o adiamento das vendas em virtude dos preços baixos das commodities afetaram o desempenho do PIB agropecuário entre janeiro e março, apontou o superintendente da Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), Nelson Costa. A expectativa, contudo, é de recuperação do setor nos próximos trimestres, com a alta dos preços compensando em parte as quebras de safra no País. O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária caiu 0,3% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao quarto trimestre de 2015. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB da agropecuária registrou queda de 3,7%. “A agropecuária, especialmente no primeiro trimestre, enfrentou a questão de perda na produção por fatores climáticos. Perdemos 6 milhões de toneladas no Brasil entre soja, milho e outros produtos”, destacou Costa. O superintendente ressaltou que, no caso do Paraná, o excesso de chuva durante a colheita foi o problema mais grave nos primeiros três meses do ano, enquanto outros Estados sofreram com seca. Na avaliação de Costa, outro fator que contribuiu para um resultado mais fraco do setor foi o retardamento da comercialização. “O preço dos produtos em dólar estava baixo, com a soja em US$ 9 por bushel. A partir de abril, ocorre uma reação nesses preços – a soja está em US$ 11/bushel, o milho subiu e o trigo também.” Para Costa, a quebra de produção do milho safrinha ainda pode influenciar o desempenho do setor, mas principalmente no terceiro trimestre, pois a colheita está recém-começando. “A perda consolidada no milho safrinha já está mais ou menos absorvida pelo mercado em virtude das quatro semanas de falta de chuvas em abril”, destacou. “Isso é um fator negativo, mas, em compensação à perda de volume, o preço do milho está extremamente alto.” Para o superintendente da Fecoopar, a tendência é de que, apesar das dificuldades enfrentadas por todos setores da economia brasileira, a agropecuária volte a ser destaque ao longo dos próximos trimestres, por causa da intenção de agricultores de aumentar o plantio e buscar investimento em tecnologia, especialmente com a recuperação dos preços das commodities. “Isso deve influenciar a decisão do agricultor. E o dólar a R$ 3,60 ainda incentiva exportação”, destacou. “Vemos um ano positivo para a agropecuária.”