O estado de São Paulo registrou 18 óbitos decorrentes de febre maculosa entre janeiro e julho deste ano. No mesmo período, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) confirmou 19 casos da doença, evidenciando a gravidade da situação epidemiológica na região.
As mortes foram observadas majoritariamente em cidades como Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo, indicando uma distribuição geográfica relevante para o planejamento de ações de saúde pública.
A febre maculosa causou a morte de 18 pessoas no estado de São Paulo entre janeiro e julho, com 19 casos confirmados.
- A doença, transmitida por carrapatos infectados, pode ser fatal em poucos dias se o tratamento for tardio.
- Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção em áreas de risco.
A febre maculosa, transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, afeta pessoas de qualquer idade e pode levar a óbito em poucos dias se o tratamento não for iniciado rapidamente. O tempo é um fator crítico para a recuperação dos pacientes.
Os sintomas iniciais da doença são frequentemente inespecíficos, podendo ser confundidos com outras enfermidades comuns como dengue, viroses ou leptospirose. Febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar geral são manifestações típicas nos primeiros dias.
Qual a evolução dos sintomas da febre maculosa?
Após o terceiro dia, a evolução da doença pode se manifestar com o aparecimento de manchas avermelhadas na pele, seguidas por pequenas lesões arroxeadas. Essas lesões surgem principalmente nas mãos e nos pés, sinalizando uma progressão para fases mais graves.
Em estágios avançados, a febre maculosa pode causar gangrena nos dedos e orelhas, além de uma paralisia ascendente que se inicia nas pernas e pode atingir os pulmões, comprometendo funções vitais.
Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações severas. “A mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento antibiótico não é iniciado rapidamente. A doença provoca uma inflamação dos vasos sanguíneos que pode comprometer rins, fígado e cérebro”, explica o especialista.
O médico alerta que indivíduos que apresentarem febre após visitarem áreas de mata, florestas, fazendas ou trilhas ecológicas devem comunicar imediatamente esse histórico ao profissional de saúde. Essa informação é crucial para um diagnóstico correto.
Como prevenir a febre maculosa?
É vital estar atento aos animais domésticos, especialmente cães, que podem frequentar áreas de vegetação, retornar para casa com carrapatos aderidos ao corpo e introduzir o vetor no ambiente domiciliar. “O carrapato também pode permanecer em camas e roupas, aumentando o risco de exposição”, afirma Gorinchteyn.
Para minimizar o risco de infecção, a recomendação principal é evitar a entrada em áreas de mata e o contato com gramados e vegetação alta. Contudo, se a exposição for inevitável, o uso de calças compridas, botas e roupas claras é aconselhável. É indispensável inspecionar o corpo e as roupas após os passeios e utilizar coleiras e produtos repelentes específicos para proteger os cães.
“A prevenção depende da atenção aos ambientes frequentados e da identificação precoce dos carrapatos”, reitera o infectologista. Ele também destaca que a confirmação laboratorial da doença pode demorar até duas semanas.
Por essa razão, Gorinchteyn orienta que, ao associar os sintomas com a visita a locais de risco, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. “Não se deve esperar o resultado dos exames, porque o atraso pode permitir a progressão para formas graves”, adverte o especialista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
O Ministério da Saúde (MS) instrui que, caso uma pessoa encontre um carrapato aderido ao corpo, ele deve ser removido com uma pinça, sem apertar ou esmagar, mas puxando firmemente. A mesma orientação se aplica aos animais de estimação.
“Depois de remover o carrapato inteiro, lave a área da mordida com álcool ou sabão e água. Quanto mais rápido tirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença”, recomenda o MS. Todas as peças de roupa utilizadas devem ser lavadas em água fervente para eliminar possíveis vetores.