A febre do Nilo Ocidental, uma doença viral rara no Brasil, registra casos e uma morte no país, gerando alerta entre autoridades de saúde. Dois novos casos foram confirmados em São Paulo, e outros em Santa Catarina e Piauí. O infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, ressalta que a maioria dos quadros é leve, com menos de 1% evoluindo para a forma grave.
A febre do Nilo Ocidental é confirmada com novos casos em São Paulo, Santa Catarina e Piauí, incluindo uma morte.
- A doença é uma arbovirose transmitida por mosquitos do gênero Culex, que adquirem o vírus ao se alimentar de aves infectadas.
- Apesar de incomum no Brasil, as autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica e do mapeamento dos casos.
O infectologista Furtado da Costa enfatiza que não há motivo para preocupação generalizada, mas é fundamental mapear os casos e manter a vigilância, especialmente em locais com mortalidade de aves fora do normal. Ele esclarece que o contato com aves por si só não garante a transmissão da doença aos humanos.
O que é a febre do Nilo Ocidental?
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus. Esse grupo de vírus inclui também os responsáveis por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, demonstrando a similaridade de seus agentes causadores.
A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca. O mosquito adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas, que são os reservatórios naturais do patógeno.
A infecção por esse vírus pode não provocar sintomas em cerca de 80% das pessoas. Estima-se que aproximadamente 20% dos indivíduos infectados desenvolvem manifestações clínicas, que, na grande maioria dos casos, são brandas e autolimitadas.
Quais os sintomas da doença?
Entre os sintomas que podem surgir em casos sintomáticos da febre do Nilo Ocidental, estão:
- febre e mal-estar;
- falta de apetite;
- náuseas e vômitos;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- dor nos olhos;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios linfáticos;
- confusão mental;
- rebaixamento do nível de consciência;
- tremores ou convulsões.
Transmissão e tratamento da febre

Costa explica que os mosquitos, ao picarem as aves infectadas – que são os reservatórios do vírus – e depois picarem um ser humano, podem transmitir a doença. Ele compara os sintomas aos de outras arboviroses, como dengue e zika, que são vírus “primos” devido à sua origem e forma de transmissão.
Os quadros clínicos da febre do Nilo Ocidental podem variar consideravelmente, desde uma febre passageira até formas mais graves. As manifestações severas podem incluir encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas. Nesses casos, a avaliação médica imediata e a hospitalização são necessárias.
Nos quadros graves, o paciente pode necessitar de internação hospitalar e, em algumas situações, atendimento em unidade de terapia intensiva. O tratamento nesses casos é de suporte e pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir e tratar complicações.
O diagnóstico da febre do Nilo Ocidental é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais específicos. Esses exames são indicados para pessoas que apresentam sintomas compatíveis e histórico de exposição a áreas onde o mosquito vetor está presente.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em humanos. O controle do quadro é direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico, conforme a necessidade individual de cada paciente.
O infectologista acrescenta que, até o momento, não há estudos focados na idealização de uma vacina para essa doença. Ele justifica a ausência pela baixa ocorrência de casos em comparação com outras arboviroses, como zika e dengue, que apresentam um número significativamente maior de registros em todo o mundo.
Casos recentes no Brasil
Em São Paulo, foram confirmados dois casos da doença, conforme informações do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, informou ter viajado recentemente para a região amazônica e já está curada. Uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, está internada sob cuidados médicos. Esta é a primeira vez que o estado de São Paulo registra casos humanos da febre do Nilo Ocidental.
Tatiana Lang D”Agostini, diretora do CVE-SP, afirmou que as equipes municipais e estaduais continuam investigando os casos. O objetivo é identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção e controle da doença na região.
O Ministério da Saúde também confirmou dois casos em Santa Catarina, com um deles evoluindo para a morte. Além disso, há um caso provável sendo investigado no Piauí. Diante desse cenário, a pasta informou que mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial, buscando identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão da febre do Nilo Ocidental no território nacional.