“FDS é dissolvida: curdos entregam milícia por autonomia

Líder da FDS anuncia dissolução da milícia após pacto com presidente sírio por reunificação do país e direitos curdos

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Nesta terça-feira, o líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, anunciou a dissolução da milícia em Damasco, após uma série de reuniões. A decisão ocorre em conformidade com um acordo firmado com o presidente sírio, Ahmed Al-Sharaa, que está determinado a reunificar o país.

“Desde a criação das FDS, seus combatentes assumiram uma grande responsabilidade durante um dos períodos mais difíceis. Eles libertaram muitas cidades e vilas sírias. Hoje, as circunstâncias mudaram, e o país entrou em uma nova fase caracterizada pela paz e pela participação”, disse Abdi em comunicado oficial.

  • As Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por Mazloum Abdi, foram dissolvidas em Damasco após um acordo com o presidente sírio.
  • O pacto inclui o reconhecimento dos direitos nacionais dos curdos e da língua curda como idioma oficial, um passo inédito no país.
  • A integração da milícia, que lutou contra o Estado Islâmico, representa uma vitória para Al-Sharaa, mas encerra o sonho de autonomia curda.

O papel da FDS no combate ao terrorismo

O grupo foi formado em 2015 por iniciativa dos Estados Unidos, que ficaram impressionados com os combatentes curdos que haviam derrotado o EI em Kobane. As FDS lideraram a luta contra os jihadistas, que sofreram uma derrota territorial na Síria quatro anos mais tarde.

Em seu auge, a milícia contava com cerca de 100 mil combatentes e controlava vastas áreas do norte e nordeste do país, regiões ricas em petróleo. No entanto, após confrontos que resultaram na perda de territórios significativos para as tropas governamentais da Síria, os dois lados fecharam o acordo.

O acordo garante a paz para os curdos?

Al-Sharaa assinou um decreto que consagra os direitos nacionais dos curdos e reconhece o curdo como língua nacional, um passo inédito desde a independência da Síria, em 1946. Essa integração representou uma grande vitória para Al-Sharaa, que tem buscado consolidar o controle sobre toda a Síria desde a queda de Bashar Al-Assad.

Apesar do reconhecimento, o pacto desferiu um golpe fatal no sonho de autonomia há muito acalentado pelos curdos. A dissolução das FDS marca uma nova fase para a Síria, com implicações profundas para o futuro da região e para a minoria curda.