Favorito para assumir pasta da Justiça já ocupou o cargo por 14 dias no governo Dilma

Com histórico no Ministério Público e proximidade com o presidente Lula, o perfil e Wellington César Lima e Silva é favorável para substituir Ricardo Lewandowski

Wellington César Lima e Silva
Wellington César Lima e Silva Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Apontado como favorito para substituir Ricardo Lewandowski no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o advogado Wellington César Lima e Silva já ocupou diferentes cargos em gestões petistas e teve uma breve passagem anterior pela pasta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou a exoneração de Lewandowski no dia 10 de janeiro de 2026, nomeando como interino Manoel Carlos de Almeida Neto, então secretário-executivo do ministério. Lewandowski havia assumido o cargo em fevereiro de 2024, após se aposentar como ministro do STF. Em 8 de janeiro, ele apresentou sua carta de demissão alegando razões pessoais e familiares.

Quem é Lima e Silva

Formado em Direito e mestre em Ciências Criminais, Lima e Silva possui carreira acadêmica e já lecionou na UFBA (Universidade Federal da Bahia). Atualmente, chefia o departamento jurídico da Petrobras por indicação de Lula. Antes disso, foi secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil de janeiro de 2023 a julho de 2024, período em que estreitou laços com o presidente Lula ao analisar atos presidenciais e avaliar indicações.

Sua trajetória é marcada por uma passagem meteórica pelo Ministério da Justiça durante o governo Dilma Rousseff. Ele ocupou o cargo por apenas 14 dias, pois o STF anulou sua posse sob o entendimento de que membros do Ministério Público não podem exercer funções no Poder Executivo.

No Ministério Público da Bahia, onde ingressou em 1991, Lima e Silva foi procurador-geral de Justiça por dois mandatos na gestão de Jaques Wagner (PT-BA). Sua atuação foi marcada pela criação do Comitê Interinstitucional de Segurança Pública e pela integração entre o MP e as polícias por meio do programa “Pacto pela Vida”. Sobre a investigação criminal, o advogado defende uma atuação conjunta entre polícia e Promotoria, sem a hegemonia de uma única instituição.

Em 2013, Lima e Silva expressou sua opinião sobre a chamada “polícia judiciária”, que abrange a Polícia Federal, e mencionou em uma entrevista sobre a PEC 37, que iria retirar poderes de investigação do Ministério Público.

Na época, ele ressaltou que cabe à polícia a atribuição de investigar, mas que precisa do apoio de outras instituições, como a Promotoria, e que não pode haver uma “plena hegemonia” de uma delas.