Edição nº2582 20/06 Ver edições anteriores

Farra no Itamaraty

Crédito: Geraldo Magela

MAU EXEMPLO Políticos, como a senadora Soraya Thronicke, foram brindados com passaportes diplomáticos (Crédito: Geraldo Magela)

ISTOÉ teve acesso com exclusividade a um documento do Ministério das Relações Exteriores contendo informações sobre a farra na liberação de passaportes diplomáticos concedidos na gestão do ministro Ernesto Araújo. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o Itamaraty concedeu 986 passaportes (com esses passaportes especiais, o cidadão pode entrar em qualquer país, sem visto, e ter regalias no embarque e desembarque). Esse total dá uma média de quase 250 passaportes diplomáticos ao mês. O número surpreende, pois, em 2018, foram concedidos 1.200 mil documentos especiais durante o ano inteiro. Ou seja, uma média mensal de 100 passaportes. Isso significa que a média mensal aumentou em 150% durante o governo Bolsonaro.

Privilégios

O mais grave é que pelo menos 500 desses passaportes foram concedidos para ministros, deputados e senadores. Na lista de beneficiários, estão nomes que já nem mais fazem parte do governo, como o ex-ministro Ricardo Vélez Rodrigues. Também conseguiram o documento personalidades políticas como o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL).

Parentes

Além dos políticos, os passaportes foram dados para seus parentes, como esposas e filhos. Estão na lista ainda o governador do DF, Ibaneis Rocha. Até mesmo integrantes do PSL que lutam contra os privilégios, em teoria, solicitaram o documento. A senadora Soraya Thronicke conseguiu o documento para ela e para a filha, Isabela Thronicke.

Doenças raras

Divulgação

A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) acaba de ser eleita presidente da Comissão de Doenças Raras do Senado. O vice será o senador Romário (Podemos-RJ). Tetraplégica, Mara vive numa cadeira de rodas e Romário tem uma filha com Síndrome de Down. Os dois lutam em defesa das pessoas com deficiência. Ao tomar posse, Mara disse: “Os casos são raros, mas são muitos”.

Rápidas

* Desmancha prazeres, Bolsonaro determinou o fechamento do escritório da Itaipu em Curitiba, onde trabalha Rosângela da Silva, namorada de Lula. Os 150 funcionários serão transferidos para Foz do Iguaçu. A filial gastava R$ 7 milhões por ano.

* A Câmara vai gastar R$ 5,2 milhões com a compra de 20 elevadores para instalar em apartamentos funcionais dos deputados. O pregão para solicitação deveria ter saído em maio, mas foi suspenso por questões administrativas. Deve sair este mês.

* A esquerda quer continuar bagunçando o coreto. O PSOL, PT e a CUT marcaram greve geral para o próximo dia 14 de junho, contra a Reforma da Previdência. Todo mundo sabe que a reforma é a única coisa que pode tirar o país do caos em que está.

* Para impedir uma greve de caminhoneiros, Bolsonaro comemora a queda no preço dos combustíveis: 6% no Diesel e 7,2% na gasolina. Colocou ainda seus ministros para negociar com os motoristas.

Retrato falado

“Tenho comido o pão que o diabo amassou” (Crédito:Isac Nobrega)

O presidente Bolsonaro tem se mostrado insatisfeito com os rumos de algumas coisas no governo e mesmo no Congresso, contrariando seus posicionamentos. Na sexta-feira 31, em almoço com caminhoneiros no “Presidente, posto e churrascaria”, na beira de uma estrada perto de Anápolis (GO), ele desabafou com os motoristas que estava fazendo de tudo para atendê-los, mas às vezes não conseguia resolver todas as demandas. Em entrevista, disse até que há noites em que chora.

Toma lá dá cá

Orlando Morando, Prefeito de São Bernardo (Crédito:Divulgação)

O que o senhor acha do movimento para deixar estados e municípios fora da Reforma da Previdência?
É um erro, pois atualmente não é apenas o governo federal que tem dificuldades para arcar com as despesas previdenciárias. É muito mais fácil o Congresso fazer uma reforma ampla do que deixá-la a cargo das assembléias legislativas e das câmaras municipais.

O senhor acredita que os municípios não conseguirão pagar a aposentadoria de seus servidores sem a reforma?
O não pagamento de aposentados e pensionistas não é algo que vai acontecer de imediato, mas precisamos ter a visão de que todos os recursos públicos aportados na Previdência Social poderiam ser investido em educação, saúde e segurança.

Fim do Foro

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) está fazendo uma campanha pelos corredores da Câmara para que seja aprovado, o mais rápido possível, o seu projeto que acaba com o Foro Privilegiado. Hoje, o foro é especial para mais de 58 mil autoridades brasileiras, desde ministros, parlamentares, governadores e quase 17 mil juízes. Essas pessoas, que hoje pertencem a um tipo de cidadão de primeira classe, não respondem por seus atos na justiça comum. Elas se reportam somente aos tribunais superiores, com o STF ou STJ. O projeto já foi aprovado na Comissão Especial na Câmara em dezembro. Agora, precisa ser votado em plenário.

Impunidade

O Foro Privilegiado tem servido para propiciar a impunidade aos políticos que recorrem a ele. Como exemplo, o senador explica que a Lava Jato, em cinco anos de operações, condenou 285 pessoas em primeira instância a penas de 3 mil anos, enquanto que o Supremo, nesse mesmo período, só condenou um político.

Bolsonaro mais popular

O secretário de Comunicação do Governo, Fábio Wajngarten, está colocando de pé um projeto para tornar o presidente Bolsonaro mais popular. Faz parte da estratégia levá-lo a programas de rádio e TV. Nos últimos dias, Bolsonaro já deu entrevista ao Domingo Espetacular (Record), foi ao Ratinho e deu entrevista para Danilo Gentili, ambos do SBT.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Previdência

Isso tudo porque ele comanda uma campanha que a Secom está lançando sobre a Nova Previdência, para fazer a reforma previdenciária ficar mais palatável, sobretudo junto aos mais pobres. O governo quer mostrar que eles não sofrerão prejuízos. Ele distribuirá os R$ 40 milhões da campanha nos diversos veículos de comunicação.

Carro elétrico

Divulgação

A deputada Rosana Valle (PSB-SP) apresentou projeto na Câmara para que a indústria automobilística seja proibida de fabricar carros movidos a combustível fóssil (derivados de petróleo) a partir de 2030. Só poderiam produzir carros elétricos. O problema é que hoje eles são muito caros: no mínimo R$ 130 mil. Nem todos podem comprar.


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