A relação de Ailton Graça com o Carnaval é um dos grandes marcos da vida do artista, e nos últimos anos, ele tem se envolvido de forma ainda mais ativa com o Carnaval de base, encontrando nesse espaço um sentido de pertencimento que nem sempre está presente no mundo da televisão, por exemplo.
Recentemente, Ailton desfilou pela tradicional escola de samba Lava-Pés, chegando até à presidência da agremiação, em um movimento que reforça sua conexão com o universo carnavalesco.
Além de Ailton Graça, outros nomes conhecidos também têm ocupado esse espaço. A filósofa e escritora Djamila Ribeiro atuou como jurada do Miss Uesp, assim como Eliane Dias e Adriana Lessa. Sheila Mello foi rainha de bateria da escola Vale Encantado por alguns anos, enquanto Fabrício Oliveira e Joyce Ribeiro também se destacam entre os artistas que optaram por essa vivência.
Segundo Nenê Teixeira, presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp), esse deslocamento simbólico revela um desejo crescente por pertencimento e autenticidade. Para ele, o Carnaval de base preserva a possibilidade de vivenciar a festa de forma coletiva, mantendo viva a dimensão cultural que nasce nos bairros e nas comunidades.

Djamila Ribeiro e Nenê Teixeira
Ainda de acordo com Nenê, a presença dessas personalidades não acontece por acaso. “O Carnaval de base permite que as pessoas vivenciem a festa, não apenas assistam. Aqui, o famoso participa, se envolve e troca experiências”, avalia.
Dessa forma, além do aspecto cultural, o Carnaval de base exerce impacto direto na economia local, gerando renda para costureiras, aderecistas, músicos, coreógrafos e pequenos comerciantes dos bairros onde as escolas estão inseridas. Com menos recursos e mais inventividade, essas agremiações transformam limitações em potência criativa.