Edição nº2544 21/09 Ver edições anteriores

Família, seis títulos de campeão e liderança em campo mantém Eric Botteghin no futebol holandês

Eric Botteghin posa com os troféus que já ganhou na Holanda

O paulista Eric Botteghin já pensou em jogar em um grande centro da Europa. Mas ele desenvolveu sua carreira na Holanda. “Jé pensei em sair sim. Já tive algumas oportunidades. Mas acabou nunca dando certo”, disse à Coluna do Boleiro. Frustrado? Nem um pouco. Afinal, ele coleciona conquistas no futebol holandês, constituiu família em Roterdam com a esposa Melina, está a caminho de ser pai pela segunda vez e é uma espécie de chefão da defesa do Feyenoord. E se sente em casa. “Gosto do povo holandês. Os holandeses são bem simpáticos e receptivos”, falou.

Ele vive na Holanda desde 2007. São 11 anos de carreira atuando num mesmo país. O zagueiro de 30 anos começou a carreira no time do Guarulhos, passou pelo Barueri e, em 2006 e 2007, foi atleta do Internacional de Porto Alegre. Entre 2007 e 2011, atuou no Zwolle. Jogou depois no NAC Breda por duas temporadas. A partir de 2011-13, quando ganhou o primeiro título da carreira no Groningen, passou a conquistar um torneio por temporada. Já são seis no total. E, mesmo já tendo conquistado a Supercopa da Holanda, no início da temporada 2018/19, ele quer mais: “Espero que a gente esteja no fim da temporada brigando pelo titulo nacional e também pela Copa da Holanda”.

São tarefas difíceis. O Feyenoord está em sétimo lugar depois de duas rodadas. Neste domingo, enfrenta o Heerenveen na casa do adversário. O time de Bottheghin vem da eliminação da Liga Europa e está sendo cobrado por uma boa temporada. Por isso, o ano promete ser desafiador para o zagueiro brasileiro.

Coluna do Boleiro –  Você está na Holanda desde 2007. Dá para dizer que virou sua casa?
Na verdade, cheguei em janeiro de 2007. E com certeza já se tornou minha casa aqui. Minha carreira inteira foi aqui na Holanda.

Quando você parar com a carreira, o que pretende fazer e onde quer viver?
Ainda não sei. Gostamos muito da Holanda. Minha vida de casado foi toda aqui. Os filhos nasceram aqui, mas somos muito família e por mais que estejamos adaptados, ainda não sabemos o que fazer. A principio voltaremos para perto da família.

O que você absorveu da vida aí? Não falando ainda de futebol, mas de comportamento, dia a dia. Tem coisa que você faz que é bem holandês?
Aqui aprendi a ser regrado com o horário, de aproveitar mais o sol (hahaha), pois aqui o inverno é bem longo. Também janto mais cedo aqui, como eles fazem, umas 18h00,18h30.

Você come comida brasileira ou já adquiriu hábitos holandeses?
Como hoje em dia é fácil encontrar de tudo por aqui, fazemos comida brasileira em casa.

O que você faz fora de treinos e jogos? Qual sua rotina de treinos?
Treinamos uma vez por dia e temos uma folga por semana. Fora dos treinos gosto de passear bastante com a minha família. Já conhecemos bastante a Holanda e os países ao redor. Já viajamos bastante aqui pela Europa. Gosto de sair para jantar,  ir ao cinema e conhecer outros lugares.

Você vai completar 31 anos de idade no próximo dia 31. Já sabe como vai comemorar?
Na verdade, esse ano devo só sair para comer com a minha família, minha mulher Melina está grávida de 35 semanas. Não quero dar trabalho. Temos o Rafael, de dois anos e oito meses. O menino que está vindo vai se chamar Daniel. 

Você tem contrato com o Feyenoord até quando?
Até junho de 2020.

E desde 2014-2015, você é campeão pelo menos uma vez ao ano.
Pois é, começou no Groningen. Ganhamos a Copa dos Países Baixos. Pelo Feyenoord, foram duas Copas dos Países Baixos em 2015-16 e 2017-18, a Eredivisie (2016-17) e duas Supercopas dos Países Baixos (2017 e 2018).

Você deve ser ídolo aí em Roterdam.
Ah, aí já não sei dizer (risos).

Você não é reconhecido pelas ruas?
Isso sim. Não só na cidade de Roterdam, mas na Holanda toda.

Como vocês ganharam a Supercopa este ano, a temporada já está ganha?
(Hahaha),  ainda não. Aqui no Feyenoord eles cobram muito. Objetivo é brigar pelo titulo no Campeonato Holandês e brigar pela Copa da Holanda também. Ganhamos a Supercopa em cima do PSV. Empatamos 0 a 0 e foi um jogão. Mas fomos eliminados nos playoffs da Liga Europa pelo Trencin. Foi um baque aqui. Ninguém estava esperava e estão cobrando bastante a gente. Foi uma semana ruim que tivemos. Ninguém esperava. Foi logo depois de termos ganho a Supercopa contra o PSV.

Como está o ânimo do time?
Ah, agora já passou. Tem uma temporada longa ainda pela frente.

O que mudou no Feyenoord para esta temporada?
Na verdade chegaram três jogadores novos, saíram dois titulares o resto manteve o mesmo time.  O goleiro titular agora é o Justin Bijlow. E o Kenneth Vermeer tem disputado os jogos da Copa da Holanda e iria jogar na Liga Europa.

O nível do campeonato nacional é bom?
É um nível bom e bastante técnico. Claro que não se compara com alguns campeonatos aqui da Europa, muito mais pelo dinheiro que é investido. Aqui se dá muita oportunidade para os jovens. Tem estrangeiros, mas acho que não tanto como em algumas outras ligas.

Você é o único brasileiro do Feyenoord?
Sim, só eu de brasileiro.

Hoje você se entende em campo em holandês?
Sim,  já entendo tudo em holandês. E falo também. 

Depois de tantos anos na Holanda, seu modo de jogar mudou em relação ao tempo em que você jogou no Internacional?
Ainda levo meu jeito brasileiro de marcar e de garra, mas me moldei no jeito holandês de sair jogando desde lá de trás e ser um líder na zaga.

Líder na zaga?
Tenho que organizar o time falando muito durante o jogo, orientando o time principalmente na marcação.

Tudo em holandês?
Sim  (risos). E em inglês também para os estrangeiros. Espanhol para para peruano e colombiano. Não é fácil mesmo, mas eles cobram esta comunicação desde os treinos, para organizar o time. Aí você se acostuma.

Você é o capitão?
Não. O capitão é o Van Persie. Eu sou o terceiro capitão. Tem quatro capitães no time. O Van Persie fica sempre com a faixa. A gente fica como capitães reservas. São tipo os quatro líderes do grupo. O treinador do Feyenoord é quem instituiu isso. O Giovanni van Bronckhorst. Ele é um cara tranquilo. Conversa tudo na boa e é muito humano, bem emotivo.

Como está o Van Persie?
Van Persie está bem. Ele chegou mo meio da temporada passada vindo de lesão, mas dessa vez, ele conseguiu fazer toda a pré-temporada e está muito bem.


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