Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Por Sebastian Rocandio e Pilar Olivares

NITERÓI (Reuters) – A família e amigos de Dom Phillips, morto na Amazônia ao lado do indigenista Bruno Pereira no início deste mês, se despediram do jornalista britânico em um funeral em Niterói (RJ) neste domingo.

A esposa de Phillips, Alessandra Sampaio, seus irmãos Sian e Gareth e o cunhando Paul Sherwood participaram do funeral do jornalista, que tinha 57 anos.

“Hoje Dom será cremado no país que amava, seu lar escolhido, o Brasil”, Sampaio disse em meio a lágrimas.

“Dom era uma pessoa muito especial, não apenas por defender aquilo que acreditava como profissional, mas também por ter um coração enorme e um grande amor pela humanidade.”

Sian revelou que o casal planejava adotar duas crianças brasileiras.

Phillips, um repórter freelancer que já escreveu para jornais como Guardian e Washington Post, realizava pesquisas para um livro durante a viagem com Pereira, ex-servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), quando ambos desapareceram no Vale do Javari (AM) no dia 5 de junho.

Os corpos foram encontrados cerca de dez dias depois, após Amarildo da Costa –um pescador que confessou tê-los matado– indicar para a polícia o local em que o jornalista e o indigenista estavam enterrados na floresta amazônica.

O funeral de Phillips ocorre dois dias depois do funeral de Pereira, realizado em Pernambuco sob homenagens de indígenas.

Nas imediações do cemitério em Niterói, pessoas protestaram com cartazes com mensagens como “Quem mandou matar Dom e Bruno?”.

A Polícia Federal disse neste mês que investigações sugeriram que mais indivíduos além de Costa estavam envolvidos no crime, mas que eles provavelmente agiram sozinhos, sem o envolvimento de um mandante ou de uma organização criminosa.

A teoria foi contestada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que teve papel de liderança nas buscas e disse ter alertado a polícia diversas vezes sobre um grupo de crime organizado operando no Vale do Javari.

A família de Phillips disse que seguirá atenta aos desdobramentos das investigações de perto e exigindo justiça.

“Ele foi morto porque tentou contar ao mundo o que estava acontecendo com a floresta amazônica e seus habitantes”, disse Sian Phillips.

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