Família de italiano preso na Venezuela vive expectativa após captura de Maduro

ROMA, 3 JAN (ANSA) – As imagens transmitidas pelos noticiários internacionais chocaram particularmente uma região da Itália. A operação das forças especiais dos Estados Unidos em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, despertou dúvidas, mas esperança entre os familiares de italianos detidos no país sul-americano.   

No Lido de Veneza, Armanda e Ezio, pais do voluntário Alberto Trentini acompanharam os acontecimentos ao longo do dia com atenção e apreensão.   

O trabalhador humanitário italiano está detido na Venezuela há mais de um ano, e a família aguarda sinais de esperança e comunicações das autoridades italianas sobre um possível desfecho positivo para o caso.   

Nas horas seguintes à operação norte-americana, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, abordou diretamente a situação dos cidadãos italianos presos na Venezuela, com destaque para Trentini, detido na conhecida prisão de El Rodeo, a poucos quilômetros de Caracas.   

“Temos italianos detidos na Venezuela, a começar por Trentini, mas há também cerca de uma dúzia de outros casos, o que nos preocupa igualmente. Estamos trabalhando com empenho”, afirmou o chanceler, reforçando o envolvimento da diplomacia italiana.   

Apesar do impacto da ação dos Estados Unidos, o cenário permanece incerto. Trata-se de uma situação em rápida evolução, na qual ainda há pouca clareza sobre o futuro político da Venezuela e sobre as consequências práticas da iniciativa militar americana.   

Não está claro se os novos desenvolvimentos poderão acelerar uma eventual libertação dos detidos ou, ao contrário, complicar ainda mais sua situação.   

Diante do novo contexto, o governador do Vêneto, Luca Zaia, também se pronunciou. “Perante estes acontecimentos, juntamo-nos ao apelo para que sejam tomadas todas as medidas necessárias a fim de garantir uma resolução positiva do caso”, declarou.   

Poucos dias antes do Natal, a mãe de Trentini recebeu um telefonema do presidente da Itália, Sergio Mattarella, que manifestou proximidade e solidariedade à família, reiterando que o país não abandonou o cidadão detido.   

A ligação ocorreu após a mãe do humanitário expressar publicamente sua decepção com a falta de avanços concretos, pedindo ao governo italiano “uma ação mais decisiva”. Em agosto, ela também havia escrito ao papa Leão XIV, solicitando sua intervenção como possível mediador.   

Nas últimas semanas, Trentini conseguiu fazer breves telefonemas à família, assegurando que estava bem. Ele também recebeu a visita do embaixador italiano Giovanni Umberto De Vito.   

O voluntário havia chegado à Venezuela em 17 de outubro de 2024 para uma missão com a ONG Humanidade e Inclusão, mas foi detido.   

(ANSA).