O presidente Jair Bolsonaro gosta de apontar a corrupção no governo Lula, mas a revelação de que sua família comprou 107 imóveis e pagou, ao menos metade deles, 51, com dinheiro vivo, é um dos maiores escândalos da história da política brasileira.
Essa turma, que nunca trabalhou com outra coisa além da política, gastou milhões em casas, apartamentos, salas comerciais e terrenos. De onde veio essa fortuna toda, uma vez que seus salários não são compatíveis com a renda? Por que nenhum órgão de controle, como a Receita Federal ou o COAF, nunca teve a curiosidade de cruzar as informações dos envolvidos ao longo das últimas três décadas?
A matéria, brilhante apuração dos repórteres Thiago Herdy e Juliana Dal Paiva, do UOL, é a maior prova de que algo o clã ao redor do presidente está enrolado até o pescoço. Se não estiver, têm a obrigação de vir a público e abrir seu sigilo bancário para provar ao povo brasileiro que não são corruptos.
Em sua defesa, o presidente alega que comprar imóveis com dinheiro vivo não é crime. Do ponto de vista estritamente legal, pode até estar correto. Mas, na prática, você conhece alguém honesto que sai por aí carregando R$ 13,5 milhões em malas para realizar transações financeiras? Lembrando que, em valores atualizados, esse montante chegaria a R$ 26 milhões. Quem tem R$ 26 milhões em espécie? Quantas malas são necessárias para carregar tantas notas?
Há algo que piora a situação: as declarações de bens e renda da família Bolsonaro, entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em virtude das candidaturas do clã. De 1998 até este ano, apenas o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) declarou ter guardado “moeda corrente nacional” em casa, R$ 20 mil.
Se a família Bolsonaro não guardava dinheiro em casa, como ela usou dinheiro vivo para comprar os tais 51 imóveis? O Brasil exige essa resposta – e antes da eleição.