Esportes

Faltando um ano para Olimpíada, COB tem o desafio de fazer um bom papel em Tóquio

Falta um ano para os Jogos de Tóquio-2020, que será em 23 de julho de 2021. A Olimpíada, que inicialmente teria nesta sexta-feira, data da sua cerimônia de abertura, foi adiada para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus. E isso obrigou o Comitê Olímpico do Brasil (COB) a repensar as suas estratégias e planejamento para a competição.

Um grupo já está em Portugal, onde a situação da doença está mais controlada. Segundo Jorge Bichara, diretor de esportes das entidade, o objetivo é fazer um bom papel no Japão. “Temos de pensar o tempo inteiro que sim, que vai ter Olimpíada. A condição mais segura é com surgimento da vacina. Acredito que a definição deva vir até março ou abril do ano que vem. De qualquer forma, nossa preparação é 100% focada em que o evento vai ocorrer”, avisou. Confira a entrevista ao Estadão.

A Olimpíada começaria nesta sexta-feira. Como foi a logística para mudar tudo após o adiamento?

Refizemos contratos com as cidades, que envolvem contrapartidas sociais, fizemos contato com a companhia aérea, pois já tínhamos pago uma parte das passagens, refizemos contratos de alimentação e de transporte interno. Fornecedores que já estavam enviando contêineres para Tóquio, como da China, com uniformes, seguraram o material. Não precisamos pagar nada esse ano, só uma parcela do contrato de alimentação por causa de produtos que já haviam sido comprados.

Como o COB superou o período mais crítico da quarentena?


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Estávamos organizados para um evento que ocorre a cada quatro anos e isso muda a perspectiva de trabalho, dos prazos, das metas. Atinge confederação, atletas, clubes. Então fizemos cortes nos orçamentos para poder garantir que não houvesse demissões nos nossos filiados. E garantimos que seriam repassados os R$ 120 milhões para as confederações.

É possível ter uma ideia de quanto foi perdido em recursos das loterias?

A queda superou 40% logo nos primeiros meses da pandemia. Foram três meses difíceis de arrecadação. Mas fomos buscar recursos de nossas reservas, de contingência, e utilizaremos se for necessário. Também abrimos uma linha de investimento de R$ 10 milhões para projetos novos de desenvolvimento. E depois ainda veio a proposta de repasse de R$ 200 mil para trabalhar o efeito da pandemia nas confederações.

E como foi para os atletas?

No aspecto esportivo começamos a monitorar os principais atletas que nós temos, para ver a condição física inicialmente. Teve gente que conseguiu manter um mínimo de atividade. Então percebemos que o processo de abertura e fechamento do isolamento social seria constante em países de grande extensão, como o Brasil. Surgiu então a ideia de buscar países onde a pandemia estivesse mais controlada e buscar protocolos para fazer isso.

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A solução encontrada de levar os atletas para Portugal veio em boa hora?

Sim. Portugal só tem uma fronteira, com a Espanha, possui uma estrutura esportiva de média para boa, clima bom, e essas coisas facilitam nesse processo de retomada. O momento que eles estão agora, de flexibilização progressiva, ainda é mais rigoroso ao nosso maior momento de controle.

Quais modalidades mais sofreram com a pandemia?

As modalidades de esporte coletivo, de combate e de esportes que tenham a necessidade muito grande de requisito técnico de equipamentos foram as que mais sofreram impacto. Como exemplo o vôlei, basquete, futebol, handebol, modalidades de combate porque o atleta precisa se medir com outro, a ginástica e os saltos ornamentais, que sofreram muito porque a inatividade aumenta o risco de lesão.

Como o Brasil está na preparação em relação aos outros países?

Não só tempo de efeito da pandemia faz diferença, mas a estrutura dos países também e de como eles estimulam a prática esportiva. Países onde o efeito da pandemia está intenso e a estrutura esportiva não é tão grande vão sofrer um pouco mais. Como o Brasil. Já os Estados Unidos, com estrutura esportiva robusta, criam condição de treinamento isolando grupos. Países menores onde tem controle melhor da pandemia já conseguiram retomar, como muitos países europeus.

E como estão os atletas de modalidades que tinham condições de pódio?

Isaquias e Erlon, da canoagem velocidade, conseguiram cumprir o ritmo normal de preparação. A Ana Marcela Cunha, da maratona aquática, conseguiu se manter em uma boa condição. Já a ginástica perdeu muito e isso preocupa, assim como o vôlei, pois são atletas que estão acostumados a uma intensidade de treinamento. Já o surfe e vela conseguem buscar espaço onde o controle da pandemia está melhor e ter uma preparação.

É possível definir metas para os Jogos de Tóquio?

Nós buscamos uma boa preparação e fomos monitorando ano a ano o potencial de resultados. Não tenho um número, mas entendia que pelos resultados chegaríamos nos Jogos em boas condições de participação. Agora é impossível ter um número e vamos trabalhar para ter um cenário para janeiro e fevereiro.

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