PANDEMIA * 2020

Falência das escolas

A redução nas receitas vira um desafio para as escolas públicas e privadas. Alunos e pais também são prejudicados com menos conteúdo e mensalidades que não diminuíram

Crédito: Rodrigo Zain

VAZIAS NA PANDEMIA Colégios se preparam para o retorno presencial e o elevado custo da volta (Crédito: Rodrigo Zain)

O impacto da Covid-19 nas finanças de escolas privadas e públicas revela a fragilidade do sistema de ensino brasileiro, mostram diferentes pesquisas. Estudo da ONG Todos pela Educação e do Instituto Unibanco sobre despesas e receitas em 22 redes de educação estaduais — compreendendo 95% das unidades do País — revela perda estimada em até R$ 28 bilhões neste ano. O montante vai depender do resultado da arrecadação de tributos vinculados à manutenção e ao desenvolvimento da Educação, basicamente ICMS e ISS, além de fundos municipais e estaduais. Além disso, os gastos adicionais com adaptação das unidades ao ensino à distância já somam quase R$ 2 bilhões.

Outro estudo, feito pela startup de análise de dados Explora, mostra que 50% das famílias com filhos matriculados em instituições privadas de pequeno e médio porte não serão capazes de manter seus filhos na escola se a situação atual de pandemia permanecer. “Metade das crianças matriculadas deixarão de estudar em escolas privadas e buscarão uma vaga no ensino público”, avalia Tadeu da Ponte, professor do Insper e criador da Explora. “A escola pública não tem como absorver os novos alunos. Já seria uma situação incompatível mesmo sem a perda na arrecadação”, alerta. Alguns pais se queixam que precisam manter as despesas altas com educação mesmo que as aulas dos filhos tenham se tornado virtuais e com carga horária reduzida. Os alunos também vivem um momento de incerteza, já que precisam se adaptar e não sabem como se concluirá o ciclo escolar. E as escolas também vivem um desafio. Entre as 482 escolas privadas de pequeno e médio porte pesquisadas pela Explora, em 83 cidades do País, a receita média caiu 52% com a pandemia. “Estamos usando recursos próprios para sobreviver e mantendo uma relação aberta e clara com as famílias, negociando tudo que é possível”, disse Renata Leone, dona e diretora da Criar-Te, berçário e escola de educação infantil. Há 28 anos na capital paulista, a instituição perdeu apenas três alunos, mas luta contra as despesas que não diminuíram. “Famílias e escolas não são inimigas, ambas somos vítimas dessa situação”, avalia Renata.

Sem diálogo

No Rio, a ADM Máster, escola tradicional do Méier, já pediu empréstimo ao BNDES para honrar a folha de pagamento dos professores e funcionários.“Estamos todos com problemas, então seria um tiro no pé dizer ‘não’ aos pais que buscam descontos nas mensalidades”, disse a diretora pedagógica Adriana Leite Silveira. “Passamos 24 horas por dia renegociando.” Um consultor do setor imobiliário, que pediu para não ser identificado, entrou na Justiça contra a escola do filho, uma instituição tradicional em São Paulo. “Como perdi renda, solicitei um desconto, mas eles se recusam a conversar. Falta bom senso. Uma coisa é não querer pagar, outra é não poder pagar.”

“Metade das crianças deixarão de estudar em colégios privados. A escola pública não tem como absorver os novos alunos” Tadeu da Ponte, professor do Insper

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