Fachin cancela reunião para discutir código de ética no STF

Encontro que reuniria os ministro deve ser remarcado para depois do Carnaval

Ministro Edson Fachin assume presidência do STF
Ministro Edson Fachin assume presidência do STF Foto: Mateus Bonomi/Reuters

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, cancelou a reunião prevista para o dia 12 de fevereiro que trataria sobre o novo código de conduto para os magistrados da Corte. O encontro que reuniria os ministro deve ser remarcado para depois do Carnaval.

No STF, a maioria dos ministros é a favor do código, mas há resistências especialmente de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ministros com grande interlocução com a política.

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Na sessão de quarta-feira, 4, Moraes afirmou que juízes podem receber por palestras e ter ações de empresas, desde que não atuem como sócios-dirigentes. O magistrado classificou como “má-fé” críticas sobre a atuação de ministros da Corte. As declarações foram feitas durante o julgamento que discute a validade da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que restringiu o uso das redes socais por magistrados.

Segundo o ministro, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) somente impede que o magistrado seja sócio-dirigente de empresas. Moraes disse que a magistratura é a carreira pública com mais vedações de condutas.

“O magistrado pode receber por palestras, pode ser acionista [de empresa]. A Loman diz que não pode ser sócio-dirigente. Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia ter aplicação em um banco, ações de um banco. É acionista de um banco, então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro”, afirmou.

O ministro Dias Toffoli também concordou com Moraes. “Teria que doar sua herança a alguma entidade de caridade, se ele [juiz] tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou fazenda. Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas. Não exercendo a administração, eles têm todo direito de receber seus dividendos”, completou.

Código de Ética para ministros

Ainda não há uma minuta pronta do conjunto de regras para a instância máxima da Justiça brasileira. No entanto, as bases dele são inspiradas em um documento similar do Bundesverfassungsgericht (BVerfG, na sigla em alemão), o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, publicado em 2018. O objetivo é orientar a conduta dos ministros da Corte.

Durante seu discurso na abertura do ano Judiciário, Fachin ressaltou a atuação do STF na defesa do processo democrático e do sistema eleitoral e ao evitar “erosões constitucionais”. O presidente da Corte fez também um apelo ao consenso na política brasileira.

* Com informações da Agência Brasil e Deutsche Welle