O ex-ministro italiano das Universidades e da Pesquisa, Fabio Mussi, uma figura histórica da esquerda, faleceu na noite de quarta-feira (2), aos 78 anos, no Hospital Sant”Eugenio, em Roma. A informação de seu falecimento foi confirmada nesta quinta-feira (3) pela Aliança Verde-Esquerda (AVS), coalizão à qual Mussi era ligado.
Fabio Mussi, ex-ministro italiano e histórico líder da esquerda, morreu aos 78 anos em Roma.
- Mussi atuou em governos como o de Romano Prodi e foi uma voz influente em partidos como o PCI e PDS.
- Sua carreira abrangeu política e jornalismo, sendo reconhecido por sua dedicação à transformação social.
A causa da morte de Mussi não foi revelada pela Aliança Verde-Esquerda (AVS). A coalizão, à qual Mussi era ligado e onde atuava como líder do Sinistra Italiana (SI), um de seus integrantes, divulgou o comunicado sobre o falecimento.
A trajetória política de Fabio Mussi
Nascido em Piombino, na província de Livorno, em 22 de janeiro de 1948, Mussi era filho de trabalhadores. Ingressou no Partido Comunista Italiano (PCI) aos 17 anos e estudou literatura na Scuola Normale Superiore de Pisa, iniciando cedo sua trajetória política.
Em 1979, aos 31 anos, Mussi tornou-se o integrante mais jovem a entrar para o Comitê Central do PCI. Com a transformação da esquerda italiana após a dissolução do PCI, ele integrou o Partido Democrático da Esquerda (PDS) e, posteriormente, os Democratas de Esquerda (DS).
Fabio Mussi exerceu mandato parlamentar entre 1992 e 2008, período em que ocupou posições de liderança em grupos de esquerda e de centro-esquerda. Em 1996, foi líder da bancada do PDS-Ulivo na Câmara dos Deputados e, em 2001, tornou-se vice-presidente da Casa.
Entre 2006 e 2008, Mussi integrou o segundo governo do então premiê da Itália Romano Prodi, ocupando o cargo de ministro do Ensino Superior e da Pesquisa.
Qual o legado de Fabio Mussi para a esquerda italiana?
Mussi foi uma das principais vozes da ala esquerda dos Democratas de Esquerda (DS). Quando a maior parte do partido decidiu se fundir, em 2007, com uma legenda centrista para criar o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, ele optou por não aderir à nova sigla.
Sua trajetória política foi marcada pela participação ativa nas sucessivas reorganizações da esquerda italiana desde o fim do PCI. Durante esse processo, Mussi ocupou diferentes funções de liderança parlamentar e partidária, tornando-se uma das principais referências e vozes intelectuais do movimento.
Mussi no jornalismo e as homenagens póstumas
Além da política, Fabio Mussi teve uma longa trajetória no jornalismo. Foi editor-adjunto da Rinascita, revista ligada ao Partido Comunista Italiano, e posteriormente coeditor do jornal L”Unità, historicamente associado à esquerda italiana.
A Aliança Verde-Esquerda (AVS) informou que detalhes sobre as cerimônias de despedida seriam divulgados pela família nas próximas horas.
Em nota, o líder da Esquerda Italiana (SI), Nicola Fratoianni, lamentou a morte de Mussi, descrevendo-o como um político extraordinário, intelectual refinado e uma figura de grande cultura, curiosidade e inquietude.
Fratoianni relembrou a personalidade marcante do ex-ministro, destacando sua “voz vibrante”, o humor e a paixão com que discutia política. Segundo ele, Mussi costumava telefonar para conversar sobre os problemas do país e os rumos da política italiana. Para o dirigente, essa dedicação refletia uma concepção de política voltada à transformação da sociedade e não a interesses pessoais.
“Uma retórica que ele nunca perdeu, apesar do cansaço físico que suportava, incluindo as sequelas de um transplante duplo de rins ao qual foi submetido em 2008”, destacou Fratoianni. Ele agradeceu a Mussi pelos conselhos e pela amizade, enviando condolências à esposa, Luana, e às filhas, Valentina e Gaia.
“Devemos muito a você. Sentirei sua falta. Sentirei falta de suas ligações, da sua voz e da paz de espírito que eu sentia quando falava com você para pedir conselhos ou uma opinião em momentos difíceis”, escreveu Nicola Fratoianni.