A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) praticou “blackface” durante discurso no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira, 18, ao pintar o rosto de preto enquanto questionava a identidade de mulheres trans. A prática, historicamente associada à representações racistas, provocou indignação imediata entre parlamentares.
O ataque foi desencadeado pela escolha, na última semana, da deputada federal Erika Hilton (Psol) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados — medida fortemente criticada por figuras do campo da direita e da oposição.
A encenação ocorreu durante um pronunciamento em que a deputada criticava pautas ligadas à identidade de gênero. Ao fazer uso de blackface, ela tentou sustentar um paralelo entre identidade racial e identidade de gênero, argumento que foi rebatido por colegas, que classificaram a manifestação como discriminatória e incompatível com o ambiente institucional.
“Agora aos 32 anos decido me travestir como uma pessoa negra […] Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir?”, declarou ela durante o ato.
Veja o vídeo:
Uma deputada estadual que responde pelo nome de Fabiana Bolsonaro (PL SP) fez, durante discurso, uma performance de BlackFace para insinuar de maneira transfobica que a dep Erika Hilton jamais entenderia o que uma mulher cis passa.
O blackface é tido como uma pratica teatral de… pic.twitter.com/T6cvK7ZRgY
— Pales (@oficialpales) March 18, 2026
A reação no plenário foi seguida por críticas nas redes sociais, que destacaram o caráter racista da prática e o teor transfóbico do discurso. O uso do blackface é amplamente condenado por sua ligação histórica com a ridicularização de pessoas negras, tratando a cor de pele como uma “fantasia”.
Diante da repercussão, parlamentares como a deputada Ediane Maria (Psol) anunciaram a intenção de articular medidas contra Fabiana, incluindo representação por quebra de decoro. Também foram levantadas hipóteses de responsabilização jurídica, com eventuais enquadramentos por racismo e transfobia.
Apesar do sobrenome, Fabiana Bolsonaro — nome político de Fabiana de Lima Barroso Souza — não possui parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela adotou o complemento “Bolsonaro” nas eleições de 2022, quando foi eleita deputada estadual em São Paulo pelo PL, alinhando-se politicamente ao ex-chefe do Executivo.