A Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou-se o primeiro partido de extrema-direita a conquistar a presidência de uma Assembleia Legislativa no país desde a Segunda Guerra Mundial, após a eleição de seu candidato no leste alemão.
O cargo na Saxônia-Anhalt, onde o partido conquistou quase 44% dos votos no pleito de setembro e abocanhou 39 das 83 cadeiras, será ocupado por Tobias Rausch, de 35 anos. Na ocasião, a legenda superou com folga a União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, liderada pelo chanceler Friedrich Merz.
Os deputados estaduais recém-eleitos reuniram-se pela primeira vez em Magdeburg para eleger o presidente da casa.
Rausch venceu com 48 votos a favor, 29 contra e cinco abstenções.
A queda do chamado “Brandmauer”, o “muro de contenção” sanitário que isolava a extrema-direita na política alemã, foi viabilizada pelo apoio dos parlamentares do partido Aliança Sahra Wagenknecht (BSW). O resultado da votação secreta indicou ainda que outros quatro parlamentares de fora dessa aliança votaram no candidato da AfD.
O vice-líder do BSW, Christian Leye, defendeu a decisão, afirmando que o cordão sanitário erguido pelos demais partidos contra a AfD “não está funcionando”.
Em seu discurso de posse, Rausch prometeu “levar a sério opiniões divergentes e tentar tomar decisões de forma transparente”. Por outro lado, a deputada Susan Sziborra-Seidlitz (Os Verdes) e Tim Kluessendorf, secretário-geral do Partido Social-Democrata (SPD), criticaram duramente o resultado.
“A eleição de um político da AfD como presidente do Landtag da Saxônia-Anhalt é um desastre. O BSW decidiu deliberadamente, pela primeira vez desde 1945, eleger um integrante da extrema-direita para liderar um parlamento alemão”, lamentou Kluessendorf.
Do lado de fora do parlamento, centenas de manifestantes protestaram contra a eleição portando cartazes com dizeres como “Nunca mais é agora”, em referência ao passado nazista da Alemanha, e lendo trechos da Constituição que garantem os direitos fundamentais.
O resultado regional aumenta a pressão sobre Friedrich Merz, que assumiu o governo com a promessa de conter o avanço da AfD por meio da recuperação econômica e do endurecimento das políticas migratórias. Contudo, travado por divergências internas na coalizão, o governo assiste ao crescimento do partido radical, que já alcança 30% nas pesquisas nacionais.
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