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Explosão em Beirute completa 1 ano, e Líbano segue em crise


BEIRUTE, 4 AGO (ANSA) – Há um ano, a cidade de Beirute, no Líbano, vivia um dos seus dias mais trágicos. Uma gigantesca explosão no porto da capital deixou 214 vítimas, mais de seis mil feridos e prejuízos de bilhões de dólares.   

A causa da explosão foi o armazenamento inadequado de 2.750 toneladas de nitrato de amônia dentro de um dos depósitos do porto. Porém, até hoje, há uma troca de acusações sobre falhas de fiscalização no local e sobre a negligência das autoridades nacionais.   

O maior evento para cobrar mais ajuda tanto do governo local como de aliados internacionais está marcado para a noite desta quarta-feira (4), na Praça dos Mártires, onde são esperadas milhares de pessoas. O governo decretou o dia de luto nacional para lembrar da tragédia.   

O papa Francisco, uma das principais vozes na cobrança interna e estrangeira, voltou a fazer um apelo para que os países “façam gestos concretos” para ajudar o Líbano.   

“Faço um apelo à comunidade internacional para ajudar o Líbano a completar um caminho de ressureição, com gestos concretos, não apenas com palavras”, disse ao citar a conferência promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela França e que reúne líderes de diversas nações.   

O líder católico reiterou seu “grande” desejo de visitar a nação e reforçou que “não se cansa de rezar para que o Líbano volte a ser uma mensagem de fraternidade e de paz para todo o Oriente Médio”.   

A conferência será realizada de maneira virtual, por conta da pandemia de Covid-19, e visa arrecadar cerca de US$ 350 milhões entre os governos para ajudar os libaneses. Apesar do governo de Beirute declarar default financeiro em 4 de agosto do ano passado, o país já vivia em uma profunda crise econômica desde 2019 – e a explosão agravou ainda mais a situação.   

Uma nota oficial conjunta publicada antes do encontro e assinada por ONU, União Europeia e Banco Mundial, cobrou “justiça pelas vítimas” e “reformas urgentes” para ajudar a nação.   

“Lembramos hoje a tragédia ocorrida em 4 de agosto de 2020 em Beirute… um desastre causado pelo ser humano, uma das mais potentes explosões não nucleares da história, que matou 214 pessoas, deixou mais de seis mil feridos e que destruiu a vida e os meios de subsistência de milhares de pessoas em todo o Líbano”, diz o comunicado.   

O documento lembra que há “365 dias, o povo libanês” ainda espera a justiça prometida por governantes e cobra que uma “investigação eficaz, independente e transparente” leve essa “justiça para as vítimas e paz para as famílias”.   

Em uma nota separada, o alto representante para a Política Externa da UE, Josep Borrell, também cobrou o ressarcimento das famílias pelas perdas e disse que o bloco “encoraja os líderes políticos libaneses a acolher essa oportunidade para reconquistar a confiança do povo, colocar de lado suas divergências e formar rapidamente um governo com um mandato forte para enfrentar a atual crise econômica, financeira e social e fazer reformas esperadas há tempos”.   

Além de todos os problemas, o Líbano continua sem um governo estável desde a explosão. Em 27 de julho deste ano, o presidente Michel Aoun designou o terceiro premiê interino desde a tragédia para tentar formar uma coalizão política.   

Logo após a explosão, o então primeiro-ministro, Hassan Diab, renunciou à função. Desde então, foram nomeados o ex-embaixador em Berlim Mustapha Adib e o ex-premiê Saad Hariri, mas ambos fracassaram por conta de divergências políticas e religiosas.   



O poder no Líbano é dividido também por conta das religiões, sendo que o presidente sempre é um cristão maronita, o premiê um muçulmano sunita e o chefe do Parlamento um muçulmano xiita. Os próprios parlamentares são divididos, sendo 50% cristãos e 50% muçulmanos. (ANSA).   

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