Na expectativa pelo Oscar, ‘O Agente Secreto’ acumula 74 prêmios

Filme dirigido por Kleber Mendonça Filho passou por mais de 70 festivais

AP Photo/Chris Pizzello
Wagner Moura é o protagonista de 'O Agente Secreto', filme nacional indicado ao prêmio de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro 2026 Foto: AP Photo/Chris Pizzello

Neste ano não vai ter Carnaval, como ocorreu em 2025, quando “Ainda Estou Aqui”, filme de Walter Salles, chegou à noite do Oscar, que aconteceu em plena folia, com chances de abocanhar três estatuetas, a de Melhor Filme Internacional – o que conseguiu –, o de Melhor Filme e o de Melhor Atriz, para Fernanda Torres, que não viraram troféus. Mas há clima de Copa do Mundo, que vai ser disputada em junho. A torcida brasileira está pronta para acompanhar a 98ª edição da premiação mais badalada do cinema na expectativa de ver “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, arrebatar ao menos um dos quatro prêmios em que concorre.

+ Indicado a 4 Oscars, ‘O Agente Secreto’ chega à Netflix

Com o humorista e apresentador Conan O’Brien como mestre de cerimônias, o Oscar abre suas portas neste domingo, 15, por volta das 19h30 (horário de Brasília), segundo o cronograma oficial, com o tapete vermelho da festa, no Dolby Theatre, em Hollywood. No Brasil, esse momento aguardado especialmente pelos fashionistas poderá ser acompanhado ao vivo na TNT e na HBO Max, que iniciam suas transmissões às 18h30. A Globo também detém os direitos de exibição. Outras empresas de mídia farão coberturas especiais.

O início da cerimônia está previsto para às 20h, com as primeiras mensagens de O’Brien, que volta a ser o anfitrião da noite, como ocorreu no ano passado. Tradicionalmente, a primeira categoria a revelar o Oscar do ano é de Ator ou Atriz Coadjuvante (elas se alternaram nas últimas edições). 

A 98ª cerimônia do Oscar terá uma competição a mais em comparação ao ano passado, a de Direção de Elenco, somando 24 categorias. “O Agente Secreto” concorre nas seguintes: Filme Internacional, Elenco, com Gabriel Domingues, Ator com Wagner Moura e Melhor Filme, na lista mais recheada de indicações: dez. O Brasil ainda está na disputa do Oscar de Fotografia, com Adolpho Veloso, que responde pela cinematografia de “Trens de Sonho”, produção da Netflix que também compete pela estatueta de Melhor Filme.

+ Quem é Adolpho Veloso, brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Fotografia

Distribuído mundialmente pela Neon, dos Estados Unidos, empresa que respondeu por campeões do Oscar como “Anora” e “Parasita”, a produção brasileira tem feito uma maratona de lançamentos e de participações em festivais e eventos internacionais, cumprindo uma estratégia para levar “O Agente Secreto” para mais públicos. O resultado é que, em mercados como o norte-americano, o filme amealhou mais de US$ 4 milhões em bilheteria, segundo o Box Office Mojo, plataforma que é referência nesses dados da indústria cinematográfica.

No Brasil, a obra de Mendonça Filho arrecadou, até 9 de março, R$ 51,8 milhões no país, levando 2,5 milhões de espectadores aos cinemas, segundo a Vitrine, distribuidora de “O Agente Secreto” por aqui. Esse montante equivale a aproximadamente US$ 10,4 milhões, valor que supera os dados disponibilizados pelo Box Office Mojo nesta semana (com números de bilheterias coletados globalmente até fevereiro).

Embora a bilheteria seja um dos medidores de sucesso de um filme, o reconhecimento da obra por renomados festivais de cinema também entra na conta. Em arrecadação, por exemplo, “Avatar: Fogo e Cinzas”, da franquia criada por James Cameron, já faturou globalmente mais de US$ 1,4 bilhão desde sua estreia, em dezembro passado. Neste Oscar, o filme concorre em duas categorias técnicas: Efeitos Visuais e Figurino.

+ ‘Avatar: Fogo e Cinzas’ busca consolidar o sucesso da saga

Por outro lado, “F1: O Filme”, estrelado por Brad Pitt e produzido pela Apple TV+, é criticado por especialistas por entrar na lista dos indicados a Melhor Filme. Dentre os dez concorrentes à cobiçada estatueta, é o que mais arrecadou com bilheteria, chegando a US$ 633,4 milhões no mundo, sendo US$ 59,2 milhões apenas na China e superando US$ 189 milhões nos Estados Unidos, país em que o esporte não está entre os favoritos do público. No Oscar, além de Melhor Filme, a produção disputa os prêmios de Montagem, Efeitos Visuais e Som. No Critics Choice, arrebatou dois troféus, Som e Edição.

Na edição deste ano, quem tem mais chances de estatuetas é “Pecadores”, presente em 16 indicações, recorde na história do Oscar. Outro destaque da edição 2026 é “Uma Batalha Após a Outra”, que tem conquistado prêmios importantes como Melhor Filme de Comédia/Musical e Diretor (Paul Thomas Anderson) no Globo de Ouro, Filme no Critics Choice Awards e no britânico Bafta arrebatou seis troféus, incluindo Filme e Direção.

Trajetória brasileira

Nas contas da Vitrine, “O Agente Secreto” esteve em mais de 70 festivais e conquistou 74 prêmios até o momento. Entre eles, estão Direção e Ator no Festival de Cannes; Filme Internacional e Ator no New York Film Critics Circle Awards; Filme Internacional no Critics Choice Awards; e Filme em Língua Não Inglesa e Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro.

Não será fácil conquistar um Oscar, apesar das quatro indicações. As apostas têm variado muito desde que o longa entrou no radar das publicações e sites especializados. Wagner Moura já foi apontado com boas chances de levar a estatueta, mas a disputa está embaralhada nos movimentos mais recentes. Também em Filme Internacional ora o brasileiro desponta, ora “Valor Sentimental”. Mas o cinema nacional já sai valorizado com o desempenho de “O Agente Secreto”.

Em recente bate-papo virtual entre Walter Salles, Kleber Mendonça, Fernanda Torres e Moura (promovida pela Neon), o tom foi de celebração. Como o diretor de “Ainda Estou Aqui” pontuou: a obra abraça a cultura do Nordeste e amplia a percepção de identidade brasileira em uma maneira que ecoa no público internacional e no nacional.

Ao que Moura completou, argumentando que todos crescemos vendo filmes norte-americanos e compreendendo o que são os Estados Unidos a partir do cinema, experiência que a atual safra de longas brasileiros têm feito globalmente, levando nossa cultura e identidade para mais gente. “É lindo fazer isso acontecer não só para os estrangeiros, mas para nós mesmos”.