Exército israelense nega morte de bebê palestina em Gaza por gás lacrimogêneo

Exército israelense nega morte de bebê palestina em Gaza por gás lacrimogêneo

As Forças Armadas israelenses negaram na sexta-feira (18) que gases lacrimogêneos usados por seus soldados nos distúrbios sangrentos desta semana na fronteira com a Faixa de Gaza tenham causado a morte de uma bebê palestina, como dizem o ministério da Saúde de Gaza e a família da criança.

Militares israelenses fundamentam sua posição com base em informações de um médico palestino que conhecida a menina e sua família e segundo o qual a criança sofria de um problema cardíaco, disse um porta-voz, tenente-coronel Jonathan Conricus, que não informou a identidade do médico, sua relação com a família ou as condições em que os israelenses colheram seu testemunho.

Conricus denunciou “um novo exemplo de fabricação” de fatos por parte do movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

“Temos informações de que a bebê sofria de um problema cardíaco e que foi muito provavelmente o que causou a sua morte”, declarou à AFP, acrescentando que estas informações foram dadas por um médico palestino anônimo.

O ministério da Saúde de Gaza, interrogado nesta sexta, manteve que a menina de oito meses morreu vítima de gases lacrimogêneos, e acrescentou que esperava os resultados do médico legista para saber se sofria de alguma doença.

“Concluímos que a bebê morreu vítima dos gases israelenses”, repetiu na sexta-feira Ashrad al Qodra, porta-voz do ministério da Saúde.

“Sofria de uma doença? Esperamos que o médico legista conclua o informe, que poderia ser no domingo”, disse à AFP.

A morte de Leila al Ghandur, anunciada na terça, provocou profunda emoção. Na segunda-feira, soldados israelenses enviados para a fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza mataram 59 palestinos que participavam de uma manifestação multitudinária contra a transferência da embaixada americana de Tel Aviv a Jerusalém.

Segundo o ministério local, a menina, sepultada na terça-feira, morreu após inalar bombas de gás disparadas pelos soldados israelenses.

Sua família acusa o exército israelense de “tê-la matado”, sem evocar as circunstâncias nas quais uma criança desta idade estava no meio dos distúrbios.

Segundo a família de Leila al Ghandur, sua mãe, de 17 anos, havia deixado a filha com um de seus irmãos porque tinha consulta com o dentista, e foi um dos irmãos que levou a menina à fronteira para se reunir com outros membros da família.