A influenciadora Rayane Figliuzzi, namorada do cantor Belo, precisou comparecer à Delegacia do Consumidor (DECON) do Rio de Janeiro na última quinta-feira, dia 5. Alvo de investigações que fiscalizam o mercado da estética no estado, Rayane, que desde janeiro figura como ré em um processo criminal, viu sua rotina de exposição pública atravessada por uma ofensiva das autoridades.
A influenciadora já figurou em investigações anteriores, como o processo relativo ao chamado “golpe da maquininha”, no qual foi descoberta uma estrutura usada para desviar valores pagos através de cartões de crédito.
Ela chegou a ser presa em 2022 por conta dessa investigação, mas acabou solta para responder ao processo em liberdade. A defesa nega o envolvimento e sustenta que ela não sabia da origem ilícita dos valores.
O novo imbróglio começou em dezembro de 2025, quando o Espaço VIP Bronze, na Zona Oeste do Rio, de propriedade da ex-Fazenda, foi um dos alvos da operação policial.
Os agentes não saíram de mãos vazias. Entre o material apreendido estavam celulares e computadores, agora submetidos a perícia para revelar conversas, agendamentos e o fluxo de caixa do local. Também foram apreendidas duas câmaras de bronzeamento artificial por luz ultravioleta, proibidas pela Anvisa desde 2009 por estarem associadas ao aumento do risco de câncer, além de produtos estéticos vencidos e até lixo hospitalar descartado de forma irregular.
A Coluna Matheus Baldi teve acesso a algumas informações usadas pela defesa da namorada de Belo. Os advogados afirmam que a clínica era apenas uma espécie de “cenário” usado para vender biquínis de sua marca e que as máquinas proibidas eram peças de decoração desativadas.
Porém, descobrimos que a história pode ganhar um novo e preocupante capítulo.
Enquanto Rayane prestava depoimento, a Operação Estética Segura, executada pelo Procon e pela DECON, fechava mais quatro clínicas no Rio e prendia quatro pessoas em flagrante.
A situação para os investigados pode ficar ainda mais complicada após as autoridades identificarem um esquema de “carnê da beleza”.
Sabe aquele crediário de loja de móveis? Pois é. Algumas clínicas de estética estavam usando esse forma de pagamento para vender botox e bronzeamento, parcelando procedimentos de maneira ilegal.
A questão é simples. A legislação não permite que serviços de saúde sejam comercializados como um produto de crediário e clínica de estética não pode tentar atuar como banco. Esse formato de financiamento viola normas de consumo e princípios da ética médica.
A Coluna apurou que esses tipos de carnês, muitas vezes, escondem taxas de juros abusivas que o consumidor não percebe de imediato e acabam transformando o sonho da beleza em um pesadelo financeiro e até de saúde.
O funcionamento costuma seguir um roteiro preocupante. O cliente começa a pagar o carnê, muitas vezes quitando várias parcelas antes mesmo de iniciar o tratamento. Se a clínica for interditada, como aconteceu com várias nos últimos meses, ou simplesmente fechar as portas da noite para o dia, o consumidor perde todo o dinheiro já pago e encontra enorme dificuldade para recuperar o valor, já que não houve uma transação bancária formal ou pagamento via cartão.
Frequentemente, esses carnês também circulam fora do sistema oficial de notas fiscais das clínicas. São pagamentos em dinheiro vivo ou transferências que não entram na contabilidade formal, o que também pode configurar crime tributário.
De acordo com apuração exclusiva da Coluna Matheus Baldi, a clínica de Rayane Figliuzzi que foi fechada poderá ser incluída na investigação.
Segundo fontes da coluna, a perícia nos celulares apreendidos na clínica da influenciadora em dezembro será crucial para determinar se ela e sua equipe adotavam esse modelo de recebimento, o que pode configurar crime contra a economia popular e sonegação de impostos.
Os celulares e computadores são tratados pela investigação como a verdadeira “caixa-preta” do negócio. Neles, a polícia tenta entender como a clínica operava no dia a dia, analisando mensagens que podem indicar oferta ativa de procedimentos e a forma como os pagamentos eram negociados com clientes. O acesso aos arquivos também pode revelar o fluxo financeiro da operação, mostrando se o faturamento passava por contas oficiais ou se parte dos valores alimentava sistemas paralelos de parcelamento informal, como os chamados carnês.
Segundo o relato de uma fonte, por conta do histórico de Rayane na acusação do golpe da maquininha, a Justiça observa a influenciadora não apenas como uma dona de clínica descuidada, mas como alguém que demonstra ter conhecimento de caminhos questionáveis para fazer dinheiro.
Oficialmente, o Procon e a Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmaram as prisões e o fechamento dos estabelecimentos envolvidos, mas ainda não divulgaram detalhes sobre os próximos passos da investigação decorrente da Operação Estética Segura. Até o momento, as autoridades informaram apenas que as apurações continuam em andamento, com o objetivo de identificar possíveis outras irregularidades e eventuais responsáveis ligados às práticas investigadas.
Procurada pela coluna por meio de sua assessoria, Rayane Figliuzzi não se manifestou até o fechamento desta nota.