Segundo servidores, não só os peritos médicos ficarão vulneráveis com o corte, mas o patrimônio do instituto também. “Hoje o Rio tem a maior quantidade de imóveis públicos do Brasil e o INSS é o ‘carro chefe’, inclusive muitos locais já foram invadidos”, alerta uma fonte. No rol de locais suscetíveis a invasões, segundo a denúncia, estariam uma casa em Copacabana, vários imóveis na Baixada Fluminense, distribuídas em Nova Iguaçu e Caxias, além de terreno em Itaguaí, entre outros.
As perícias médicas realizadas nos postos do INSS somente vão ocorrer se o número de vigilantes for mantido. “Para a Perícia Medica Federal vai permanecer o quantitativo de um segurança para cada quatro consultórios. Onde não houver esse quórum mínimo de seguranças nós iremos suspender o atendimento médico pericial por falta de segurança”, adverte Franscisco Cardoso Alves, presidente da Associação Nacional de Médicos Peritos (ANMP). Mas, segundo ele, esse corte não irá afetar a segurança dos peritos médicos federais. E garante: “A ANMP ficará vigilante”.
A questão da segurança tem preocupado servidores há tempos. No ano passado, o posto que fica na Praça da Bandeira ficou sem cabos de telefonia e internet por cinco vezes em 23 dias. O material foi roubado e com isso 2,8 mil pessoas deixaram de ser atendidas na agência da Previdência. “Em Caxias o roubo de cabos também é uma constante”, diz a fonte.
Já em Cordovil, na Zona Norte, onde fica o arquivo do instituto, homens armados fugiram de uma comunidade próxima e invadiram o local para se esconder. Hoje este prédio está abandonado. “Na Baixada a situação também é crítica. São muitos casos onde o beneficiário vai passar por exame pericial e com a negativa da concessão agride o médico perito”, acrescenta.
As agressões contra servidores, inclusive, foram objeto de ação da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) contra o INSS em 2017. O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Mauro Luís Rocha Lopes, condenou o instituto a implementar diversas medidas de segurança em todas as Agências da Previdência Social no Estado do Rio de Janeiro.
Com a decisão, o INSS foi obrigado a cumprir as seguintes determinações: contratação de agentes treinados e capacitados para identificar e resolver comportamentos hostis dos segurados e/ou visitantes; instalação de detectores de metais nas entradas das agências; colocação de câmeras de segurança, direcionando-as em especial aos locais de atendimento/consulta dos segurados; e aparelhamento das salas dos peritos com luzes, alarmes sonoros e portas de saída de emergência. A questão agora é: com a redução do quadro de vigilantes, como ficarão essas medidas?
Questionado pelo DIA como pretende reorganizar essa questão da segurança dos servidores e do patrimônio, o INSS não respondeu até o fechamento desta edição.