Exclusivo: Marina Ruy Barbosa embolsa mais de R$ 30 milhões com venda da Ginger

Coluna: Matheus Baldi

Mineiro, Matheus Baldi é jornalista e apresentador, com passagens por UOL, SBT, Record e Band. Com mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, já ultrapassou os 2 bilhões de visualizações em seus vídeos na internet. Diariamente, Matheus compartilha sua visão apurada e informações exclusivas sobre os bastidores do show business.

Exclusivo: Marina Ruy Barbosa embolsa mais de R$ 30 milhões com venda da Ginger

Atriz vende sua marca de moda em acordo milionário com dois grupos empresariais

Exclusivo: Marina Ruy Barbosa embolsa mais de R$ 30 milhões com venda da Ginger
Exclusivo: Marina Ruy Barbosa embolsa mais de R$ 30 milhões com venda da Ginger Foto: Reprodução

A Coluna Matheus Baldi descobriu com exclusividade que Marina Ruy Barbosa vendeu sua marca de moda, a Shop Ginger, em um acordo que ultrapassa os 30 milhões de reais. O acerto envolve dois grupos empresariais de grande porte e inclui uma cláusula que pode aumentar ainda mais o valor final do negócio. Dependendo da performance comercial da marca nesta nova fase, a atriz ainda poderá receber ganhos adicionais vinculados aos resultados das vendas.

Em julho de 2020, Marina lançou a marca em sociedade com a empresária Vanessa Ribeiro, quando o mundo ainda tentava entender a dimensão da pandemia. Em poucos anos, percorreu um caminho interessante deixando de ser apenas um projeto associado à imagem da fundadora e passou a se consolidar como um ativo empresarial relevante dentro do mercado de moda brasileiro.

O nome já indicava uma estratégia. A marca não carregava o nome ou sobrenome da atriz. Ginger, gengibre em inglês, é também o apelido que Marina ouviu desde criança por causa do cabelo ruivo. A ideia era construir uma identidade capaz de existir para além da fama da fundadora.

Desde o início, a Ginger foi apresentada como uma marca de slow fashion, conceito associado à produção em menor escala, maior transparência na cadeia produtiva e valorização da durabilidade das peças. Em um mercado dominado pelo fast fashion, a proposta de produzir menos e com mais cuidado ajudou a diferenciar a marca.

Nos primeiros meses, a Ginger existia apenas no ambiente digital. Com o varejo físico fechado ou operando com restrições por causa da pandemia, a empresa nasceu como uma autêntica nativa digital, vendendo diretamente ao consumidor.

O primeiro teste fora da internet veio em novembro de 2021, com a abertura de uma pop-up store no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A loja tinha 93 metros quadrados e ajudou a consolidar um elemento visual que viraria assinatura da marca. O uso recorrente do laranja passou a aparecer nas campanhas, no design das lojas e nas redes sociais.

Com o crescimento do projeto, surgiram também especulações comuns em negócios ligados a celebridades. Circularam rumores sobre investidores ocultos ou grandes grupos por trás da empresa. Marina respondeu publicamente afirmando que a Ginger era fruto do trabalho conjunto com Vanessa Ribeiro e que não havia capital de investidores naquele momento.

Os números começaram a aparecer em 2022. Segundo levantamento publicado pela revista Exame, a Ginger registrou crescimento de 512% no faturamento no primeiro semestre daquele ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa avançou também no varejo físico e inaugurou uma loja no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Naquele momento, a divisão das vendas era estimada em cerca de 40% no e-commerce, 35% em lojas próprias e 25% em multimarcas.

No mesmo período, Marina foi incluída na lista Forbes Under 30 na categoria moda. O reconhecimento simbolizava uma transição pública de carreira. Depois de duas décadas conhecida principalmente como atriz, ela passava a aparecer também como empresária.

Nos anos seguintes, a Ginger ampliou sua presença no mercado e chegou a operar quatro lojas físicas, duas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e outra em Curitiba, além de cerca de cinquenta multimarcas consideradas estratégicas no país.

Nem todos os movimentos tiveram o resultado esperado. A operação da marca no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, acabou não tendo continuidade após o período previsto. Segundo uma fonte do setor, a administração do shopping chegou a negociar a venda definitiva do ponto, mas Marina teria avaliado que adquirir o espaço naquele momento não seria a decisão mais estratégica para a marca. Em Curitiba, onde a loja também funcionava em formato temporário, o desempenho das vendas não teria sido tão animador para acertar um ponto fixo.

Nesse processo de reorganização, a presença da Ginger em multimarcas também se tornou mais desafiadora, algo interpretado como parte de um movimento de ajuste do varejo. De cerca de cinquenta pontos de venda considerados estratégicos, a marca teria mantido apenas a metade.

Como acontece com muitas empresas em expansão acelerada, o crescimento trouxe também desafios. Segundo apuração da Coluna Matheus Baldi, cinco estilistas diferentes passaram pela criação das coleções da Ginger entre 2020 e 2024. No mercado de moda, mudanças frequentes na direção criativa costumam gerar questionamentos sobre consistência de identidade. Marcas fortes costumam ser associadas a assinaturas reconhecíveis, como aconteceu com Phoebe Philo na Céline e Alessandro Michele na Gucci.

Nos últimos tempos, segundo a apuração da Coluna, estrutura criativa da Ginger passou a ser conduzida por um profissional do segmento que acompanha o projeto desde o início e que é da confiança de Marina. Porém, agora, com a nova fase da marca após a venda, um novo estilista deve assumir a função e estabelecer um diálogo direto com a atriz.

A empresa também enfrentou alguns outros desafios internos relatados por fontes ouvidas pela coluna. Entre eles aparecem episódios que teriam deixado Marina bem abalada ao desconfiar de irregularidades administrativas e presenciar conflitos acalorados no ambiente de trabalho. Pessoas próximas à operação afirmam que Marina teria desabafado uma forte chateação ao descobrir que alguns funcionários estavam mal-intencionados.

Por outro lado, também houve relatos de insatisfação de alguns colaboradores em relação à dinâmica profissional e a questões trabalhistas.

Nos últimos meses, Marina teria decidido reorganizar a empresa de olho em uma nova etapa da Ginger. O empresário Abdul Fares, seu noivo, teria oferecido apoio pontual em algumas decisões estratégicas. Fares vem de uma família com longa trajetória empresarial de bastante sucesso.

Foi nesse contexto que começaram novas conversas com investidores.

A venda revelada agora pela Coluna Matheus Baldi representa o desfecho desse processo. Segundo fontes com conhecimento direto da operação, o acordo envolve dois grupos empresariais. Um deles, ligado ao setor farmacêutico, entrou como investidor financeiro, aportando capital e estrutura corporativa. O outro, do segmento de moda, assumirá a frente estratégica da operação.

Apesar da venda, Marina permanece ligada à empresa. Nossa apuração descobriu que o acordo prevê que ela siga atuando como uma espécie de “guardiã da identidade” da marca, participando de decisões estratégicas e criativas. Inclusive, o contrato prevê bônus financeiros vinculados ao desempenho comercial da Ginger nos próximos anos.

Para quem acompanha o mercado de moda brasileiro, o episódio tem um significado simbólico. Durante muito tempo, Marina Ruy Barbosa foi vista pela indústria como uma celebridade associada a campanhas e eventos. Com a Ginger, passou a ocupar um papel diferente.

O de fundadora.

Cinco anos depois de lançar a marca em plena pandemia, ela conclui um movimento interessante. A atriz conseguiu transformar um projeto nascido no ambiente das redes sociais em um negócio capaz de atrair investidores e movimentar dezenas de milhões de reais.