Exclusão de campeão olímpico do revezamento da tocha gera polêmica na Itália

MILÃO, 13 JAN (ANSA) – O ex-esquiador de fundo Silvio Fauner, campeão olímpico nos Jogos de Inverno de 1994, em Lillehammer, foi excluído do revezamento da tocha das Olimpíadas de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo, por ocupar um cargo político na Itália.   

A decisão foi revelada em um comunicado divulgado pelo comitê organizador do megaevento esportivo, que terá início em menos de um mês. Atualmente, o ex-atleta italiano é vice-prefeito de Sappada, pequeno município localizado na região de Friuli-Venezia Giulia.   

“Apesar do máximo respeito por sua extraordinária trajetória esportiva, ele ocupa um cargo político, condição que se enquadra nos requisitos preliminares de exclusão e está claramente especificada no regulamento publicado em nosso site”, informou a Fundação Milano-Cortina 2026, acrescentando que a conquista em Lillehammer-1994 foi “emblemática”.   

Fauner, campeão olímpico na Noruega no revezamento 4×10 km, protestou contra a exclusão em entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport. Além dele, dois de seus três companheiros de equipe na campanha que resultou na histórica medalha, Maurizio De Zolt e Giorgio Vanzetta, também foram deixados de lado.   

“Diante do que veio à tona, solicitei informações à Fundação Milano-Cortina e ao Coni para entender os critérios de seleção.   

Em princípio, é evidente que lendas do esporte e aqueles que fizeram história devem ser tratados com o máximo respeito.   

Fiquei também um pouco surpreso, pois, diante de um fenômeno tão maravilhoso como o revezamento da tocha, entre os 10.001 condutores, acredito que atletas olímpicos deveriam estar na linha de frente”, afirmou o ministro dos Esportes da Itália, Andrea Abodi.   

O partido de direita Liga, do vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, classificou a escolha dos portadores da tocha como “incompreensível e preocupante”, por não incluir “o envolvimento pleno de lendas do esporte”.   

(ANSA).