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Ex-presidente da Interpol é condenado a 13 anos de prisão na China

Ex-presidente da Interpol é condenado a 13 anos de prisão na China

Ex-presidente da Interpol, Meng Hongwei (centro), comparece a um tribunal de Tianjin, na China, em 21 de janeiro de 2020 - Tribunal de Tianjin/AFP

Ex-presidente da Interpol, o chinês Meng Hongwei foi condenado a 13 anos e seis meses de prisão por corrupção – anunciou a Justiça chinesa nesta terça-feira (21).

Meng Hongwei, de 65, ex-vice-ministro chinês de Segurança Pública, também foi condenado a pagar dois milhões de iuanes (cerca de US$ 288 mil) de multa, afirmou o tribunal com sede em Tianjin (norte).

O tribunal informou que o ex-chefe da Interpol aceitou o veredicto e não apelará da decisão.

Meng Hongwei, que morava em Lyon, centro-leste da França, onde fica a sede da Interpol, foi detido na China em 2018.

O governo chinês anunciou sua detenção dez dias depois de a mulher de Meng denunciar que seu marido não havia retornado para Lyon na data prevista e que ela não tinha notícias suas.

Meng foi expulso em março de 2019 do Partido Comunista da China e destituído de todos seus cargos oficiais.

O caso representou um verdadeiro golpe para a imagem do regime comunista. Dois anos antes, a China colocou um dos seus à frente da organização internacional, mas não considerou necessário informar que ele estava sendo investigado.

Julgado em junho do ano passado, Meng se declarou culpado de ter aceitado 14,46 milhões de iuanes (1,86 milhão de euros) em subornos.

O tribunal publicou várias fotos do julgamento. Nelas, vê-se Meng Hongwei no banco dos réus com dois policiais ao seu lado.

Hongwei faz parte da lista de dirigentes comunistas que caíram em desgraça no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping pouco depois de sua chegada ao poder.

Com boa aceitação pela opinião pública chinesa, essa campanha “Mãos Limpas” também serve para afastar os opositores do presidente chinês.

Quando Meng foi preso, Pequim anunciou que estava sendo processado como parte de uma campanha destinada a “eliminar completamente a influência perniciosa” de Zhou Yongkang, ex-chefe de serviços de segurança, condenado em 2015 à prisão perpétua por corrupção.

Yongkang foi quem indicou Meng Hongwei ao cargo de vice-ministro dez anos antes.

Meng foi responsável por vários casos sensíveis, especialmente nos serviços antiterroristas e na resposta à violência na região de Xinjiang (noroeste), de maioria muçulmana.

O caso de Meng provocou tensões entre a China e a França.

A mulher de Meng Hongwei, que denunciou ter sofrido uma tentativa de sequestro, e seus dois filhos conseguiram asilo político na França em maio de 2019, segundo seu advogado.

Pequim denunciou na ocasião “um abuso total do processo francês” de asilo político.

Em novembro de 2016, Meng Hongwei assumiu a direção da Interpol, que seria concluída em 2020.

Sua nomeação preocupou organizações de defesa dos direitos humanos, que temiam que Pequim aproveitasse sua presença para perseguir dissidentes chineses instalados no exterior.

Sob sua Presidência, a Interpol emitiu um “alerta vermelho” a Guo Wengui, um milionário chinês exilado nos Estados Unidos, conhecido por suas provocações ao regime comunista. O governo Donald Trump ignorou o pedido de extradição.