Edição nº2598 11/10 Ver edições anteriores

Ex de Lula: trégua

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BANHO-MARIA Rosemary Noronha, ex-namorada de Lula, ganha tempo: o MP suspendeu ação contra ela (Crédito: Divulgação)

Rosemary Noronha, ex-namorada de Lula, foi salva pelo gongo. Pelo menos por enquanto. O promotor Cássio Conserino, do MP de São Paulo, decidiu suspender as investigações contra ela por ter recebido vantagens no governo do PT e também na Cooperativa dos Bancários de São Paulo (Bancoop), onde ela, a filha e o ex-marido ganharam apartamentos. Em despacho ao qual ISTOÉ teve acesso, Conserino diz que a Lei de Abuso de Autoridade teve a “proeza de criminalizar a atividade ministerial”. Para ele, policiais, promotores/procuradores e juízes podem ser punidos caso, por algum motivo, a investigação não encontre indícios de crime. “Ninguém, em sã consciência, pode ficar com uma espada de Dâmocles sobre a cabeça e à mercê de interpretações de toda sorte”, diz o promotor.

Suspensão

A suspensão das investigações, de acordo com Cássio Conserino, durarão seis meses, pois é o período em que ele espera que sejam revistos detalhes da lei de Abuso de Autoridade. Ele deseja que, nesse intervalo, o presidente vete a lei aprovada no Congresso e mude itens essenciais que punem os investigadores. Bolsonaro promete vetar nove artigos.

Obstáculos

O promotor diz que a lei impôs “obstáculos injustificados nas investigações criminais de improbidade administrativa e de ilícitos administrativos”, como é a acusação contra Rosemary Noronha. Segundo ele, os investigadores vivem agora “numa corda bamba” e quem amarrou esse nó foram exatamente os parlamentares investigados por esses crimes.

Palocci joga areia no ventilador

Divulgação

O ex-ministro Antonio Palocci não poupou ninguém em sua delação. Afirmou que a Operação Castelo de Areia, de 2009, revelando corrupção da Camargo Corrêa, foi barrada na Justiça graças ao governo do PT. Em troca, o partido levou R$ 50 milhões para a campanha de Dilma e até o ministro do STJ Cesar Asfor Rocha ganhou R$ 5 milhões para suspender
a operação. Ele mesmo faturou R$ 1,5 milhão no negócio.

Rápidas

* O PSB puniu 10 deputados que votaram a favor da Reforma da Previdência. Expulsou Átila Lira (PI) e afastou os outros nove por 12 meses. A deputada Rosana Valle (SP), uma das suspensas, estrilou. “O tempo dos coronéis acabou!” O PSDB quer levá-los para seu ninho.

* O PSDB está preocupado com a insistência do prefeito Bruno Covas em ser candidato à reeleição: acha que ele tem poucas chances. Outros partidos já estão entrando no jogo, como o PSL da deputada Joice Hasselmann.

* Bolsonaro mandou proposta para a Câmara com aumento de R$ 2,5 bi para R$ 3,7 bi dos recursos para as campanhas políticas em 2020, mas faltam R$ 250 milhões para o governo pagar bolsas de estudos do CNPq.

* A Justiça pediu a quebra dos sigilos do deputado David Miranda (PSOL-RJ), investigado por ter feito “rachadinha” quando era vereador no Rio, ficando com dinheiro de assessores. David é casado com Glenn Greenwald.

Retrato falado

“A decisão que tomei me honra” (Crédito:Divulgação)

A ex-candidata a vice na chapa de Haddad, Manuela D’Ávila, suspeita de ter ajudado o criminoso Walter Delgatti — o hacker que roubou dados sigilosos de procuradores e do ex-juiz Sergio Moro —, disse estar “honrada” por sua decisão de ter ajudado o criminoso a ter feito contato com Glenn Greenwald. Foi ela quem ligou para Greenwald para dizer que o hacker tinha conversas interceptadas de Moro de forma ilegal. Manuela diz ter orgulho do que fez. Nem Freud explica.

Até tu, Macron?

É o roto falando do esfarrapado. O presidente francês Emmanuel Macron, que criticou Bolsonaro por sua negligência em relação à preservação da Amazônia, também está às voltas com denúncias de ambientalistas franceses de que ele está sendo conivente com um projeto que vai dizimar parte da floresta amazônica na Guiana Francesa. É que o governo francês está autorizando um programa de mineração de ouro na Guiana, para a exploração de 85 toneladas do metal durante 12 anos nesse país amazônico administrado pela França. O projeto é chamado de “Montanha de Ouro” e será implantado na localidade de Saint-Laurent-du-Maroni, na divisa com o Brasil, por uma empresa russo-canadense.

Desmatamento

O plano prevê que o ouro seja retirado de uma área de 800 hectares, equivalente a 2.161 campos de futebol. O produto será enviado para a França para utilização na indústria de computadores, aeronáutica e espacial. Além do desmatamento, os ambientalistas temem que o projeto polua rios e o solo da região.

Toma lá dá cá

Moreira Mariz/Ag. Senado

Randolfo Rodrigues, senador (REDE-AP)

Como o sr acompanha a tragédia do desmatamento e das queimadas na Amazônia?
O que ocorre na Amazônia é crime. Nos últimos seis meses, a governança ambiental do Brasil foi destruída por atos, ações, omissões, além da verborragia de Bolsonaro.

O senhor acha que houve negligência?
Foi mais do que negligência. Foi cumplicidade. E é por isso que nós temos que criar uma CPI para investigar. Por que no “dia do fogo” em Altamira o governo não se mobilizou mesmo tendo sido avisado três dias antes?

Aceitar recursos de outros países para preservar a Amazônia agride a nossa soberania?
Qual é a vergonha em se pedir ajuda para outros países quando não se tem condições de resolver seus problemas e sua incapacidade?

A ofensiva de Doria

Sob ataque de Jair Bolsonaro, o governador João Doria deu uma resposta de efeito prático. Enquanto Bolsonaro recusou ajuda de R$ 113 milhões da Alemanha para a preservação da Amazônia, Doria fez o caminho inverso. Foi à Alemanha na semana passada em busca de recursos dos alemães para investimentos em São Paulo: conseguiu elevadas somas.

Investimentos da VW

Governo do estado de São Paulo.

O caso mais efetivo foi o da Volkswagen. Em visita à sede da montadora em Wolfsburg, Doria obteve a garantia de aplicação de
R$ 2,4 bilhões nas unidades de São Carlos e São Bernardo. Serão gerados 1500 novos empregos. Por essa e por outras, Bolsonaro incomoda-se com a movimentação do governador: vê nele uma ameaça para 2022.

Educação deficitária

Divulgação/Casa Civil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, mostra que teve problemas em sua formação educacional. Ao pedir que o ministro Paulo Guedes destine mais dinheiro para a pasta, Weintraub escreveu duas palavras com erros de português: diz que a “suspenção” de recursos poderia levar à “paralização” de pagamentos.

 


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